23 de setembro de 2021

Violência doméstica contra mulher: um problema desmascarado pela pandemia? (Evelyn Santana)

Imagem ilustrativa. Foto: Google



 

 

Geralmente no cotidiano da sociedade os assuntos inerentes à mulher e questões de gênero são tratados enquanto pautas exclusivas do mês de março, em virtude do dia internacional da mulher. E, quando são, na maioria das vezes são abordados sob uma ótica romantizada e/ou através de homenagens à mulher como esposa, mãe, avó. São pontos válidos, mas é necessário abranger a discussão.

 

Não é de conhecimento de todos que vivemos sob o jugo de uma sociedade estruturalmente machista e patriarcal. Quando afirmo isso, obviamente não estou criticando indivíduos nascidos ou que se identificam com o gênero masculino. Que isso fique posto. Apenas aponto a raiz de algumas das mazelas sofridas pela mulher no bojo das relações sociais e interpessoais. Ou seja, afirmo que as manifestações de atitudes violentas para com a mulher, seja em um contexto físico, psicológico ou verbal, são frutos de uma sociedade pautada em um inconsciente coletivo que é constantemente reproduzido por ambos os gêneros:  a ideia da superioridade masculina em detrimento da feminina.

 

Trazendo para uma realidade mais próxima… Quantas veze não ouvimos a frase “ Só poderia ser mulher”, “ Ah, mas é mulher”, “ Isso não é coisa de mulher”, ou pior “ Ela deve ter dado motivos”.  Quantas vezes não nos sentimos intimidadas no trânsito, ao andarmos sozinhas em lugares sem movimento, ou trocamos de roupa para evitar algo, seja um “simples” comentário ou ação?

 

As pesquisas apontam para o aumento do índice de violência contra mulher no período de isolamento social. Números inéditos da pesquisa realizada pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) revelam que 15% das brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter experimentado algum tipo de violência psicológica, física ou sexual perpetrada por parentes ou companheiro/ex-companheiro íntimo durante a pandemia, o equivalente a 13,4 milhões de brasileiras. Isso significa dizer que, a cada minuto do último ano, 25 mulheres foram ofendidas, agredidas física e/ou sexualmente ou ameaçadas no Brasil. Os índices são altos e alarmantes. Entretanto me questiono:  esses números são reflexos da pandemia ou a pandemia escancarou uma verdade inconveniente que costumávamos ignorar?

 

Ao meu ver esses números são reflexos da questão inicial, aqui citada, a ideia subvertida da inferioridade feminina, que está enraizada em nossa cultura e sociedade. Obviamente o isolamento catalisou violências que já existiam. Porém, elas já existiam e não devem ser atribuídas apenas à crise sanitária. Cabe a nós enquanto sociedade caminharmos em direção a um caminho de consciência e de igualdade no que diz respeito aos direitos das mulheres. E isso, demanda que perpassemos nossas ideias pré-concebidas e o costume de olharmos para essa problemática ou para todas as adjacências do viver feminino, apenas no mês das mulheres.

 

Por fim, questiono novamente: vamos mascarar a situação tal qual fazemos com os nossos rostos, no ímpeto de nos protegermos do vírus, ou iremos encarar a situação da violência, especificamente correlacionada ao gênero feminino com olhos abertos para um mal que já nos assolava antes?










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COMENTÁRIOS

Comentários 2

  1. A VOZ says:

    A MULHER NUNCA FOI SEXO FRÁGIL OU COITADINHA, QUANDO TEM VONTADE DE MUDAR COMEÇAR PELO ESTUDO E ESCOLHA DE VIDA E TEM IDENTIFICAÇÃO PROPIÁ E NÃO FICA APEGADA A ATIVISMO SE VITIMIZANDO POR AI. TA AI AS GRANDES JURISTAS DELEGADAS POLITICAS LIDERES MUNDIAIS COMO ANGELA MERKEL QUEM NÃO LEMBRA DE GODA MEIR OU MARGARETH TATCHER A DAMA DE FERRO. E MUITAS OUTRAS

  2. Lia says:

    Sou mulher, mãe, negra, batalhadora e acho uma grande bobagem esse vitimismo disfarçado de ativismo que é outra grande bobagem. Não existe nada romantizado, pois são escolhas e, cada uma de nós faz o que quer da vida, se quer ser esposa como grande parte de nós prefere e cuidar dos filhos e da casa mas, não por ser obrigada a isso e sim por escolha própria, como há também as que escolhem trabalhar fora. Portanto, nós mulheres, não somos vítima de nada muito menos da sociedade e não precisamos ser rebaixadas a discursos vitimistas e fracassados como esse.

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