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REDAÇÃO - PA4.COM.BR

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Cena do documentário Holocausto Brasileiro (Imagem: captura de tela)

Evelyn Ferreira Santana Silva

 

Em meados da década de trinta o Brasil passou por um momento que não deve ser esquecido quando pensamos em saúde, e, especificamente saúde mental. 60 mil pessoas morreram em um lugar em que contraditoriamente deveriam ter sido cuidadas, acolhidas e respeitadas. Esse acontecimento sem precedentes no que diz respeito ao número de mortos por maus tratos e negligência hospitalar foi registrado por um fotógrafo em uma visita na década de 60, trinta anos depois da inauguração do que não pode ser chamado de hospital.

 

Rapidamente os registros da construção feita para torturar em estado de vulnerabilidade, gerou uma associação. O “tratamento”, bem como seus resultados, remeteram à lembrança do holocausto que dizimou 4 milhões de judeus no período da segunda guerra mundial. O nome do hospital brasileiro: Colônia.




 

Ontem, depois de deparar com imagens da tragédia brasileira da década de 60, inconscientemente correlacionei alguns fatos que me parecem um tanto quanto atuais. Algumas das primeiras medidas tomadas no ímpeto de ajudar as vítimas acometidas pela COVID-19 foi a criação de hospitais. Um aspecto nessas duas histórias pode ser destacado enquanto divergente: os profissionais da área da saúde no momento atual sacrificam suas vidas e tem como objetivo salvar vidas. Mas como matar a sede sem água? Como saciar a fome sem o alimento? Como salvar vidas sem insumos?

 

Voltando para os pontos convergentes, é sabido através de relatos de ex trabalhadores do hospital, que a direção da famigerada Colônia não se importava com a saúde e/ou melhora das pessoas que adentravam o local.  Nesse aspecto, encontro mais um ponto em comum: a direção da nova Colônia não parece se importar com a saúde da população.  Fiquei me questionando por horas a fio. Por que não nos choca uma catástrofe tão grande quanto? É obvio que o contexto é diferente. Em um ponto temos tortura e ausência de humanidade com um nicho especifico de pessoas. Atribuo essas ações sobretudo ao preconceito. Entretanto, apesar de ter ciência do distanciamento no que concerne ao lapso temporal, e contextual não deixo de achar pontos que se entrelaçam entre o primeiro caso e o segundo. Estamos também enclausurados. Reitero que o diretor da nova colônia também não se importa com o resultado de sua gestão. E por fim, estamos perdendo vidas e mais vidas cotidianamente.  Talvez se tivéssemos acesso aos registros de cada rosto, da dor e do sofrimento, dos tempos atuais sentíssemos o mesmo que as pessoas sentiram ao ver os registros feitos em sessenta e nos opuséssemos a nova Colônia. Sobre as implicações do termo colônia, deixo que reflitam acerca. Ao meu ver, estamos voltando para esse status, e não do hospital que foi palco para esse show de horrores. Mas essa pauta é demandaria outra conversa…




 



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