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Francisco Nery Júnior, durante vacinação contra covid-19. Foto: Ângela Nery



 

 

Por Francisco Nery Júnior

 

Não importa que Monteiro Lobato a tenha descrito como desgraça. Muito menos incomoda a pecha de naufrágio impingida por Oscar Niemeyer. A velhice tem suas vantagens.

 

Como é doce e salutar olhar para trás e ver no retrovisor da vida o monte de pessoas doces, até ingênuas no sentido da ingenuidade das crianças, das quais é o Reino dos Céus; como é compensador ter batido com elas no caminhar da vida. Aqui e acolá alguma azeda pedra, mas elas a enriquecer e banhar de rosas a nossa caminhada. Inveja e esforço sobre-humano para imitá-las. Galgar o seu patamar. Ser um pouco menos ruim e mais condescendente; mais tolerante e menos julgador.

 

Saber a grande multidão silenciosa com quem interagimos na vida. Aos professores, os noventa e nove por cento atentos, respeitosos e receptivos por eles formados. Colegas e poucos gestores fornecedores do fundamental apoio na tarefa de educar filtrando e deixando de lado os nefastos modismos dispensáveis.

 

Os velhos, que querem que chamemos idosos – nós outros acima de 73 –, acabamos de receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Vieram para nós as vacinas. Estamos entre os menos de 6% dos brasileiros vacinados. Não estamos muito atrás do número de vacinados na maioria dos países avançados. Recuperamos a esperança da vida.




 

E podemos testemunhar o esforço da equipe de profissionais da saúde do município para bem nos atender. Eles nos trataram bem. E a doçura do tratamento das meninas, enfermeiras da linha de frente da guerra contra a pandemia, pontas de lança do pelotão de aniquilamento do vírus mortal, simplesmente nos fez esquecer a dor da picada da agulha. A bem da verdade, a dor mesmo não existiu.

 

Resta o nosso muito obrigado aos pesquisadores que tornaram possível a vacina, aos gestores que providenciaram a compra e a distribuição e aos aplicadores da linha de frente.

 

Agradecemos e louvamos o esforço dos heróis da guerra santa contra a pandemia. Guardamos no coração a gratidão. Mantemos viva na memória a sua dedicação heroica. E tudo isso fazemos para fundamentalmente não nos atolarmos na sofrência e na lembrança dos que se foram no meio da batalha de uma guerra que, queira Deus, haveremos de vencer.

 

Francisco Nery Júnior



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COMENTÁRIOS

5 respostas

  1. O Brasil já foi referência mundial em vacinação, diante de tanto negacionismo e incompetência do governo Federal, hoje estamos a mingua e jogados a própria sorte.

  2. Caro Sandes, a resposta ao seu primeiro comentário/pergunta já está exarada no quarto parágrafo do texto. Sim, vacina é um direito, mas quantos direitos não nos são concedidos! E países menos favorecidos (pobres) onde esse mesmo direito universal não está sendo concedido [ainda]? O privilégio a que o texto se refere, caro amigo, diz respeito à prioridade – por sermos nós outros (nós idosos) comprovadamente mais vulneráveis (vide primeiro parágrafo). Mas valeu bem você ter feito referência ao direito de sermos protegidos pelo Estado, tantas vezes relaxado pelos que representam o mesmo Estado. E vamos brigando pelos nossos direitos…

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