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REDACÃO SITEPA4

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Casa de Hóspedes – Antigo Acampamento da Chesf em Paulo Afonso-BA. Foto: Arquivo Antônio Galdino.



 

 

Em 1974, fui morar por algumas semanas na Casa de Hóspedes. Tinha acabado de concluir meu curso universitário em Salvador. Me transferiram para o Colepa, em Paulo Afonso, onde estudavam Cláudio e Rose, filhos de Manoel José. Com o colega professor Erasmo e com os dois, vizinhos da Casa de Hóspedes, gastávamos o tempo em papos e análises do que acontecia no Brasil de então. Sem maquininhas nas mãos, era o tempo em que os alunos se envolviam na escola e, no exercício da cidadania, procuravam acrescentar valor ao desenvolvimento do Brasil.

 

Eles eram filhos de Manoel José. Manoel era lotado no SPOM, encarregado da manutenção dos jardins do Acampamento. Como teria sido bom se tivessem me empurrado para lá na sua época! Em terreno fértil, teria tido o privilégio de plantar árvores aos montes com uma das figuras mais dignas dos bons tempos do pioneirismo.

 

Manoel José levava a sério a tarefa da criação do oásis que chamamos de acampamento. Mais do que Sancho Pança, cumpria fielmente as ordens do Doutor Amaury, Dom Quixote providencialmente aportado em Paulo Afonso. Sabia serem as árvores a preservação do São Francisco. Entendia ser o ar puro a manutenção da saúde dos pauloafonsinos.

 

Do seu birô no SPOM, à vontade no comando das centenas de jardineiros que o Doutor Amaury colocava à sua disposição, toalha e sabonete na gaveta ao lado, podemos dizer que surgiram as milhares de árvores que hoje fornecem o oxigênio que respiramos. O SPOM era a sua casa. Plantar árvores era a sua devoção. Proteger a Natureza o seu dever.

 

Mas ele ficou para trás. Na realidade, a cada cem anos aparece um Manoel José. E nós parecemos ficar mais à vontade sem um Manoel José a nos encher de vergonha com o seu exemplo. As gerações futuras, elas que se virem. As nossas crianças, elas que se protejam do sol em praças e áreas de lazer que parecem terem sido projetadas para uma cidade de notívagos, aqueles que trocam o dia pela noite.

 

Em nossa cidade, um humorista pernambucano. Com graça e arte, descreveu e analisou alguns aspectos que observou. “Butou” a cabeça pra pensar e nos fez raciocinar sobre alguns detalhes locais. Lá no “Ricife”, empanturrados de macaxeira, se houver oportunidade; se assim nos ajudar engenho e arte – que ele sabe esbanjar – poderemos fazer o mesmo.

 

Dentre outras coisas, nosso visitante observou que a Praça dos Aposentados tem mais mesas de damas que árvores. O nosso analista não entendeu – como não entendemos nós outros – que o plantio de árvores não seja uma prioridade em uma das regiões mais quentes do país. Não entendeu que como dependentes do rio para a produção de energia elétrica, não tenhamos a noção da preservação das matas ciliares do São Francisco. Não admite que possamos ter perdido a noção que somos parte da calha do rio e temos a obrigação de preservá-la – para a nossa sobrevivência.

 

Quem sabe o nosso oportuno vizinho nordestino seja um Noé a prever o dilúvio; no caso a seca do rio? Como profeta não faz milagres em sua própria terra, a esperança que o “estendapista”, profeta de fora, tenha despertado em nós a noção que plantar árvores e preservar matas e florestas é uma questão de sobrevivência.

 

Francisco Nery Júnior

 

 










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