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REDACÃO SITEPA4

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Estamos na Semana Santa, mas a turma parece querer voltar ao Velho Testamento. Voltar e ficar por lá. Sim, ele é parte das Escrituras Sagradas e tudo nele aponta para o advento do Cristo Redentor. O Velho Testamento é fundamental.

 

Esta matéria não tem a pretensão de tratado teológico. Também, para não cansar o leitor, ou para não torná-la pesada, não aparecerão as referências bíblicas. Com uma chave bíblica – ou no Google para os mais modernos – podem ser feitas as constatações. O esforço, como aliás de costume, é passear, sem ser longo, na beleza das Boas Novas. Vamos conversando, leitor e autor, já que temos o privilégio de conversar.

 

Para trás ficaram as pregações baseadas nas precisas máximas e parábolas de Jesus. Esquecidas as peregrinações, experiências, revelações, concessões divinas e consubstanciação do poder de Deus nos apóstolos e pelos apóstolos. Estes, os da era apostólica, conviveram com Jesus. Beberam na fonte, o Filho do Homem. Foram até ao terceiro céu e ressuscitaram gente morta. Tiveram revelações e operaram maravilhas. A moda está a prevenir o acesso dos novos convertidos ao mundo profundo das revelações divinas.

 

Como entender a ênfase na prosperidade, que prefiro chamar de fartura, quando o apóstolo Paulo afirma que “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a este mundo, nós somos os mais infelizes dos homens”? Como enveredar pela via crucis da obtenção da prosperidade quando está escrito “deleita-te no Senhor e Ele concederá o que deseja o teu coração”?

 

As Escrituras são categóricas ao afirmar que o varão que tem o seu prazer na lei do Senhor “tudo quanto fizer prosperará”. Para que, então, tanto ritual, tanta prescrição, tanta simbologia, tanto desgaste? Na velha Bahia, diriam os antigos, tanta pataquada?

 

Se “meu reino não é deste mundo”, como justificar a ênfase na prosperidade – neste mundo? Os sinais categóricos do Velho Testamento, foram, podemos dizer, um sinal do profundo amor de Deus para com os homens. Nada estava consumado e a fé era fundamental. O amor de Deus foi bastante condescendente para os que “não viam e criam”. Consumada a promessa e vitoriosa a cruz, vamos convir que é mais fácil crer. Parte da nossa crença se baseia na credibilidade que atribuímos à História. Eles criam e esperavam pelo Messias. Nós cremos na promessa, lemos os relatos históricos, e cremos na ressurreição.

 

Fundamental o exercício da verificação e da análise de certas afirmações antes de nós as admitirmos e passarmos adiante.




 

Por exemplo, os discípulos não eram tão simplórios como querem nos fazer acreditar. Mateus era alto funcionário (ele ofereceu um banquete a Jesus). João, o discípulo amado, percebemos nas entrelinhas, era educado. Lucas, apóstolo, era médico. A bíblia fala dos barcos de Pedro. Assim sendo, podemos inferir que ele tinha uma frota de barcos. Não era pescador de vara em beira da praia. Na tempestade, Jesus dormia enquanto os discípulos tentavam evitar o naufrágio. Não era um barquinho qualquer. Jesus provavelmente estava a dormir em um canto reservado de um barco razoavelmente grande.

 

Cuidado ainda com os enganadores do povo de Deus, aqueles que se introduzem no rebanho, por conveniência, vindos sem eira nem beira, sem preparo algum. A bíblia mostra que Deus chamou os preparados. Abraão era um homem influente. Moisés foi adotado, instruído e feito príncipe na corte da maior potência política e econômica da época. Samuel foi criado no templo, Paulo formado aos pés de Gamaliel e Timóteo criado dentro dos princípios do evangelho.

 

Por outro lado, como passar adiante a afirmação que o cristão não tem inimigos quando Jesus afirma sem meias palavras que “o mundo vos odeia”? “Vós não sois do mundo”. Como, então, justificar a ênfase na prosperidade – neste mundo?

 

Bem em mente a felicidade do velho pai que recebe o filho pródigo de volta, episódio do Novo Testamento, ainda a máxima de Jesus segundo a qual “tendo o que comer e de que vos vestir, ficai assim satisfeitos”, ficamos dispensados de maiores esforços para compartilhar com os leitores a incompreensão do escanteio do Novo Testamento das Boas Novas de salvação. E este evangelho promete “bênçãos sem medida”, o que ultrapassa, de longe, a tão perseguida prosperidade.

 

Francisco Nery Júnior










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