2 de agosto de 2021

Imprensa séria – o que os pauloafonsinos pensam dos seus jornalistas. Por Francisco Nery Júnior

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Redação (pa4.com.br)

Foto: Google/Ilustração



 

Com vários dias de atraso, vamos a uma conversa com os leitores de Paulo Afonso a propósito do Dia do Jornalista, 07 de abril. Não vai ser fácil considerando que pode causar susceptibilidades. Com efeito, estamos nós, jornalistas (vamos a alguma definição do termo no próximo parágrafo), comprometidos com a informação, a verdade e o bem-estar, ou a felicidade, dos nossos leitores?

Jornalista é aquele que escreve diariamente. O termo “jornaleiro” foi substituído por diarista, sobrevivendo apenas naquele que vende o jornal. O filho pródigo implorou que o seu pai o admitisse como um dos seus jornaleiros, isto é, diaristas, aqueles que ganham na base de uma diária. Ainda temos jornada em português (extensão do dia) e vale lembrar que “jour” em francês significa dia e o termo “journal”, no sentido de “diário”, sobrevive em inglês e francês.

O que os pauloafonsinos pensam da mídia pode se assemelhar ao que pensam os franceses. O Le Figaro de 30.05.21, matéria de Caroline Sallé, publicou algumas opiniões daqueles que o presidente Richard Nixon classificava como “a maioria silenciosa”.

De fato, já na década dos anos setenta, o meu colega de faculdade João José lamentava, no nosso curso de letras, que os meios de comunicação enchiam os noticiários com matérias pobres, violentas e negativas. Um dos leitores franceses afirma que “isto prova simplesmente a extrema pobreza da capacidade de criar alguma coisa original”, enquanto outro declara que “a mídia procura a audiência ou o eleitorado”, conceitos que um terceiro reduziu para “manipulação; baixa manipulação”.

Dois outros partem para o reforço e declaram que “a mídia nos entope de fatos diversos macabros. Entope a nossa visão de sangue e de fatos sórdidos com matérias diversas com sua compulsão primária de simplórios”.

E o que nos parece mais preciso até aqui: “… pobreza intelectual dos jornais e dos jornalistas. Matérias para que a população não reflita muito. Expõem a vida das estrelas para nos fazer esquecer o fim do mês [despesas, pagamentos] e o desemprego”. Tudo posto e admitido, um dos comentaristas da matéria sugere que toda a “manipulação” serviria para a manutenção da ‘galinha dos ovos de ouro’” que entendemos como a preservação da audiência.

“[Lamentavelmente], por causa de tudo isso, eu assisto cada vez menos a televisão”, vai concluindo o francês decepcionado ao tempo em que um outro equacionou: “Simples, é só deixar a televisão desligada”.

Interessante e consoladora a impressão dos dois últimos dos nossos personagens sobre o trabalho dos jornalistas, membros virtuais de um quarto Poder Moderador, que se expõem aos perigos e à violência, às vezes com o sacrifício da própria vida: “Os homicídios têm dobrado em dez anos. A mídia não pode mais esconder aos franceses o estado catastrófico da França”.

O último dos dois faz o fecho: “Esses ‘fatos diversos’ [que a mídia publica] é o que se passa na porta ao lado”.

Francisco Nery Júnior







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COMENTÁRIOS

Comentários 1

  1. F. Nery Jr. says:

    Primeiro de junho, Dia da Imprensa. Nosso agradecimento e desejo de sucesso ao pessoal da imprensa de Paulo Afonso e região, os que diariamente escrevem e informam e todos os que imprimem seus relatos, comentários e ideias corroborando o processo educacional dos nossos cidadãos. Destacamos o comprometimento do professor Antônio Galdino que, com denodo e sacrifício, mantém o jornal impresso Folha Sertaneja.

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