28 de outubro de 2021

Erupção de vulcão nas Ilhas Canárias: Risco de tsunami no Brasil é baixo, mas existe, dizem professores

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Redação (pa4.com.br) com R7

Lava é expelida de vulcão no parque nacional Cumbre Vieja em El Paso, na ilha de La Palma, no domingo (19) — Foto: Desiree Martin/AFP

O vulcão Cumbre Vieja, na ilha espanhola de La Palma, no arquipélago das Canárias, entrou em erupção neste domingo (19) após dias de intensa vigilância devido à sua atividade sísmica.

Do dia 11 de setembro até a quinta-feira (16), o Instituto Geográfico Nacional (IGN) da Espanha registrou 4.530 terremotos na região. A atividade do vulcão provoca especial interesse no Brasil pois há uma teoria de que a erupção deste vulcão poderia provocar um tsunami no Brasil.

Apesar de o vulcão estar situado do outro lado do Oceano Atlântico, haveria a possibilidade de o evento geológico provocar um tsunami aqui na costa brasileira?

Para responder a esta pergunta o R7 entrevistou os professores do Instituto Oceanográfico da USP Luigi Jovane e Michel de Mahiques, além do professor George Sand França, professor do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), entrevistado pela repórter Thaís Rodrigues, do R7 Brasília.

 

Lava e fumaça são vistas após a erupção de um vulcão no parque nacional Cumbre Vieja em El Paso, nas ilhas Canárias de La Palma, em 19 de setembro — Foto: Borja Suarez/Reuters

 

Brasileiro não gosta de falar sobre riscos, mas chance de tsunami é real
Segundo o professor italiano Luigi Jovane, doutorado em Geofísica pelo Instituto de Vulcanologia e Geofísica da Itália, “apesar de o brasileiro não gostar de falar sobre riscos de desastres, existem locais da costa brasileira onde a chance de haver um tsunami é real.”

“As praias do Rio Grande do Norte, como Ponta Negra ou Pipa, têm esse risco porque a plataforma continental é curta e no caso de haver um evento de grande energia no mar, não haveria muito espaço para a energia ir se dissipando e poderia chegar à praia com mais força, ocasionando danos.

Ele diz, porém, que a erupção do Cumbre Vieja em si não apresentaria grande risco de ocasionar um tsunami. “O que poderia produzir o tsunami seria o derrubamento profundo de rochas no mar que podem agitar a água e formar uma onda de baixa frequência”, explica.

No caso do Brasil o que poderia ocorrer seria o chamado “teletsunami”, um tsunami originado em um ponto bastante distante, cuja onda no meio do mar quase não seria perceptível — ‘coisa de 30 centímetros’ em alto mar — , mas que quando chega à costa ganha impulso e fica bem maior, causando estragos.

 

Uma nuvem de fumaça sobe após a erupção de um vulcão no parque nacional Cumbre Vieja em El Paso, nas Ilhas Canárias de La Palma — Foto: Borja Suarez/Reuters

 

Praias no Nordeste poderiam ser afetadas
“Não seria nada como os tsunamis de 10 metros de altura da Indonésia, nem o de 40 metros de Messina, na Itália, mas poderia ter potencial destrutivo, porque as cidades que poderiam ser atingidas são bastante povoadas, como Natal, explica Jovane.

Já as praias do Sudeste têm menos risco de receber tais ondas destrutivas, pois a plataforma continental que separa as águas profundas do continente, nessa região, é bem maior, o que faria que o choque de uma onda mais poderosa fosse perdendo a força antes de chegar à costa.

Oceano Pacífico tem condições mais favoráveis à ocorrência de tsunamis
O professor Michel de Mahiques explica que, diferentemente do Oceano Pacífico onde as grandes estruturas geológicas favorecem a ocorrência de vulcões e terremotos, no Oceano Atlântico não existe uma frequência tão grande de terremotos e vulcões, “apesar de que eventualmente possam acontecer vulcões como na Islândia e terremotos, como o que aconteceu em Lisboa no século XVIII.”

 

Uma nuvem de fumaça sobe após a erupção de um vulcão no parque nacional Cumbre Vieja em El Paso, nas Ilhas Canárias de La Palma — Foto: Borja Suarez/Reuters

 

Por conta do terremoto em Lisboa é possível ver, na costa do Marrocos, grandes blocos de rocha que foram deslocados por conta do maremoto.. Segundo o professor na costa brasileira também existem alguns indícios ocasionados por conta do tsunami de Lisboa, mas não são evidências muito “exuberantes”.

Possibilidade é remota
“Embora em Geologia a gente nunca descarte a possibilidade desses eventos, no caso do litoral brasileiro a probabilidade é bastante remota. Então se existe esse tipo de preocupação neste momento ela tem que ser relativizada. Não é um risco tão grande assim, mas um risco pequeno de acontecer”, diz Mahiques.

Ele diz que é importante acompanhar a intensificação do processo. Atualmente a situação encontra-se em fase amarela, mas se a situação piorar aí se pensa de novo.

É importante dizer também que quando há um tsunami gerado lá no Oceano Pacífico, os marégrafos do Brasil conseguem medir alguma oscilação.

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