2 de dezembro de 2021

CRÔNICA – A Escola Rural da professora Dirce Jorgina (Francisco Nery Júnior)

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Redação (pa4.com.br)

Da esq. para a dir: Professora Nery Fauaze, irmã do autor, Zilda Aranha, madrinha, professora Dirce Jorgina, engenheiro Severino Siqueira, Alex e Liz no aniversário de 3 anos de Mário Nery. (Foto: Acervo do autor)

 

O barco é o capitão. Assim era a Escola Rural. A Escola Rural da Chesf era eminentemente a professora Dirce Jorgina. Segura e firme, sem brigar com ninguém, assim era a professora Dirce na direção da Escola Rural. Não importando os percalços surgidos no relacionamento entre os membros de qualquer grupo, não tenho notícia de qualquer desentendimento digno de nota entre a diretora e componentes outros da escola. Agenda sempre à mão, palavras sempre pensadas e medidas antes de saírem da boca, olhar ponderado, mesmo complacente, assim era Dirce Jorgina na direção da Escola Rural.

Uma vez foi perguntada o que fazia para eu ser seu amigo. Não sei o que respondeu. Só sei que ela era direta, sem rodeios e – fundamental – sem hipocrisia. Não revelava maldade. Um cão danado, todos a ele – menos a professora Dirce Jorgina.

Seu esposo, o engenheiro Severino Siqueira Campos, era vizinho e amigo. Tão descontraído e despido de pompa hipócrita quanto Dirce. No período da montagem da Usina Luiz Gonzaga, em Petrolândia, tive o ensejo de acompanhá-lo até o canteiro de obras, ocasião em que passei por um verdadeiro curso sobre montagem de uma usina de energia elétrica.

Uma vez, sobre morarmos provisoriamente nos alojamentos do “Grupo G”, me respondeu sabiamente: “É, mas vamos passar a chuva bem passada”. Transferiu-se para uma casa ampla, já casado com a professora Dirce, e gerou os filhos Alex e Liz Andrade Siqueira Campos.

Passada a chuva que lhe foi reservada por Deus, no caminho para Salvador, ainda mais perto de Paulo Afonso, fomos todos, consternados, pegados de surpresa com morte de Severino em um acidente na estrada. Desta vez a transferência foi para a Eternidade.

Aposentada a partir de 2001, a professora Dirce transferiu-se para Salvador. Morava em um prédio na Ladeira da Barra onde o sol da Baía de Todos os Santos prodigamente castigava a fachada. Resolveu mudar-se para outro apartamento com brilho mais discreto. Esse foi o meu último diálogo com a minha antiga chefe, colega e amiga que me tratou com toda a consideração possível no sistema de ensino da Chesf.

Em 10 de agosto de 2020, a professora Dirce Jorgina faleceu em Salvador. Aos seus filhos Alex e Liz, e a todos os seus amigos e colegas, ficou a saudade de uma mulher valente que saiu do Rio de Janeiro e aqui chegou em 1º de junho de 1971 para ajudar a Chesf em um projeto visionário e promissor para o Nordeste do Brasil.

Francisco Nery Júnior

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COMENTÁRIOS

Comentários 1

  1. francisco j says:

    Parabéns Prof. Nery em relembras as pessoas que passaram em sua vida, na minha também pois não conhecia a Dirce e o Severino pessoalmente mas como chesfiano sempre os via nas instalações da empresa, sinto saudades da empresa e dos amigos que ficaram e para visitar alguns que ainda continuam trabalhando tenho que pagar no minimo R$ 150,00 para entrar onde trabalhei quase quarenta anos.

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