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Rio São Francisco – Paulo Afonso (BA). Foto: José Carlos



 

 

A ideia não é nova. Bosques têm surgido no Brasil, muitas vezes fruto da abnegação e do trabalho de uma só pessoa – e muitas vezes a despeito das prefeituras locais. Caras feias e desprezo têm os abnegados enfrentado. A razão, só o leitor sabe.

 

Com o mesmo pesar que temos visto, arrasados e tristes, a pandemia ceifar, como um tributo cruel, as vidas de próximos, parentes, vizinhos e figuras públicas, lamentamos ainda não termos tido um prefeito perfeitamente ecológico. A causa podem ser as suas atribuições políticas; e a cidade sofre. Sofre a cidade e sofre o São Francisco, dependência vital da nossa sobrevivência.

 

Na cidade de Worcester, Massachussets, onde morei por mais de dois meses, vale repetir, há um gerente, nomeado pela Câmara de Vereadores, para cuidar da administração da cidade. O senhor prefeito fica livre para pensar a cidade em termos mais abrangentes.

 

Se o nosso rio sofre com a nossa agressão e o nosso descaso – nossos e de quem tem a obrigação de protegê-lo -, a sua morte é a consequência natural. Morrendo o rio, morrerá certamente toda uma região. Morrerá Paulo Afonso.

 

O Congresso Nacional acaba de aprovar a concessão de quatro parcelas mensais, numa nova rodada, de auxílio aos desempregados e aos desamparados. Gente brava que não tem como produzir em plena pandemia. Nós os cremos reativos se estimulados. Como gente, não poderia ser diferente.

 

A questão que se propõe – e que salta aos olhos – é por que não “usar” essas pessoas, aquelas que moram ao longo do São Francisco, para a recomposição das matas ciliares do rio? Recompostas as matas e preservadas as nascentes, isto é, cercando-as e plantando árvores nativas ao seu redor, onde quer que se encontrem, salvo será o São Francisco da morte inevitável. E o espetáculo das águas testemunhará a arregimentação natural de um povo nosso bravo e valente.

 

Cada contemplado do programa de assistência ficaria obrigado a plantar uma árvore ao longo do rio. A verificação poderia ser feita por amostragem pelas municipalidades. Na nossa cabeça, nada de criação de procedimentos burocráticos nem, muito menos, proposta de humilhação para os concidadãos. Plantar árvores é, ao contrário, simplesmente um ato de nobreza para o semeador e, no caso, fator de salvação do rio.




 

Placas em homenagem aos desaparecidos vítimas da Covid-19 poderiam ser anexadas. Seria mais uma motivação para as famílias enlutadas. Coisas outras do tipo poderiam acrescentar valor de estímulo ao plantio das árvores.

 

O resultado seria um São Francisco abundante e belo, caudaloso nas águas e pródigo no fornecimento de energia, vida e desenvolvimento para boa parte dos brasileiros.

 

Francisco Nery Júnior

 

P.S. Em uma parte da nossa cidade, poderia ser criado um bosque em memória dos nossos mortos pela Covid-19. Cada baixa seria representada por uma árvore específica com uma placa alusiva.



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COMENTÁRIOS

9 respostas

  1. Muito bem, Morador. As árvores nativas da área do Exército permaneceriam lá. Nada de cortar. Só se acrescentariam outras. Tá tardando muito a Prefeitura negociar aquilo ali com o Exército.

  2. Com a licença do leitor para entrar no seu espaço, há, bem no meio da Apolônio Sales, em frente ao G. Barbosa, um frondoso “trapiá” fruto de uma semente de um lote que o meu saudoso amigo Helvécio trouxe de Floresta com o maior carinho – e responsabilidade ecológica – para nós outros pauloafonsinos. Data vênia, dá um prazer danado ter plantado aquela muda ali, passar e ser reconhecido ao, repito, grande amigo do SPOM, dentre os outros grandes amigos com quem trabalhei. Deus abençoe a sua descendência.

  3. Falar em Helvecio me emociona, na sua fazenda as árvores tinham nome e sobrenome, tomamos muitos chás delas. Era um amante da natureza. Obs. mudas frutíferas seria uma ideia.

  4. Glórias sejam dadas a Deus pela inspiração abençoada ao Prof. e irmão em Cristo Nery.
    Me permita Ir. Nery, valer lembrar que a maravilhosa ideia deverá ser estendida a todos os Municípios e Estados, pelos quais o Velho Chico faz passagem. Olhe que são muitos, viu!
    Mas, a boa vontade dos homens necessários, poderá transformar em realidade essa necessidade do Velho Chico, e de todos que dele dependem a sua sobrevivência.

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