21 de maio de 2026

Um exemplo que vem de Glória e como uma nordestina franzina evitou uma desgraça (F. Nery Jr.)

Por

REDAÇÃO - PA4.COM.BR

Foto: Prefeitura de Glória, Bahia.



 

 

Por Francisco Nery Júnior

 

O tema ou a inspiração para uma crônica surge a partir da observação. Impossível a arte de ser cronista sem leitura e sem observação; até mesmo participação no sentido de experimentação. Bem mais fácil versar sobre uma dor de dente se o cronista já teve dor de dente.

 

Pois hoje, dia 12 de maio de 2020, presenciei, ao passar ao largo do caminho de casa, uma cena que me encheu de orgulho das nossas mulheres. Cheguei a casa e, sentado a almoçar, sintonizei na Rádio Angiquinho. Nós moramos no município e sobre ele nós temos que nos interessar. O meu redator-chefe, Osildo Alves, agora radialista de impacto, entrevistava o senhor prefeito de Glória, David Cavalcanti. Antes de entrarmos na conversa dos dois – ficamos dispensados do pedido de licença – olhe o leitor o que vi às 9h:45min de hoje de dentro do carro:

 

A cena de uma mulher nordestina, portanto uma forte antes de tudo, e a conversa do prefeito me aproximaram um pouco mais de um desabafo do pastor americano Rex Briant. O pastor Rex me confidenciou a sua decepção com o número cada vez maior de fiéis que desistem de ser bons. “Cansei de ser bom”, passaram a afirmar, talvez desabafar, ao seu pastor confidente. Os nossos dois personagens de hoje adiaram por mais tempo a minha aderência ao grupo dos decepcionados sociais do pastor Rex, se assim podemos nos expressar.

 

De volta ao carro, de dentro observei que dois cidadãos, um de meia idade e outro mais jovem, se estranhavam. Estavam a se desentender sobre alguma disputa corriqueira, provavelmente banal. Os homens adoram se desentender sobre o que não merece desentendimento. O clima esquentava e a coisa estava ficando preta. Inacreditavelmente, os colegas de fila dos dois postulantes a uma quentinha emergencial em tempo de Covid-19 elegeram se omitir. Vergonhosamente viraram a cara. Criminosamente torceram o pescoço descuidados que, no Tribunal Divino, seriam acusados de omissão de socorro se a nossa personagem não tivesse saltado no meio dos dois brigões.

 

De compleição franzina, pulou no meio dos dois. Baixa de estatura, simplesmente desapareceu no meio deles. Sem muito trato da língua, levantou a mão e, podemos dizer de dedo em riste, impôs respeito. O soco de um se perdeu no ar e a pernada do outro esbarrou na parede do Restaurante Popular. Aquela mulher, pequenina de tamanho, foi capaz de evitar o estraçalhamento de dois homenzarrões como o pequeno Davi foi capaz de barrar o gigante ameaçador do povo hebreu.

 

E onde entra o nosso prefeito? Sua excelência, com uma atitude pequena, talvez simplória, demonstrou o cuidado que um prefeito deve ter com os seus munícipes. Prefeito é para se interessar pelo dia a dia do povo da cidade. Ele não encomendou máscaras da China. As máscaras compradas pela prefeitura de Glória para distribuição às pessoas foram fabricadas pelas mulheres das comunidades da cidade de Glória. Como aquela do restaurante, provavelmente terão salvo dezenas de pessoas do vírus mortal.

 

Se devemos evitar elogios a políticos fiados no fato de eles terem a obrigação de servir e ministrar, também devemos evitar perder a oportunidade de ressaltar uma pequena, mas brilhante opção.

 

Foto: Prefeitura de Glória, Bahia.

 




 



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COMENTÁRIOS

Comentários 2

  1. Ricardo Novaes says:

    My great teacher, you are very expensive. congratulations!!!

  2. Ruth Leal says:

    Parabéns Davizinho!
    … assim
    me identifico, pois tivemos o privilégio de tê-lo como cliente e sempre demostrou humildade diante das pessoas!

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