20 de setembro de 2021

Reprise da inflação no Brasil: Não vale a pena viver de novo, vale? (Evelyn Santana)

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Redação (pa4.com.br)

Moradores de Cuiabá fazem fila para conseguir doações de osso. Foto: redes sociais

 

Por Evelyn Santana

Preços absurdos, poder de compra desnivelado, desespero, desigualdade, fome, escolhas ou impossibilidade de escolhas. Talvez os mais jovens tenham certa dificuldade em associar o título escolhido para ilustrar a situação atual do Brasil com uma realidade vivenciada por muitos há não muito tempo atrás. Ocorre que nos últimos meses, temos visto não somente em nosso cotidiano, mas também em jornais ou outras fontes de informações, um quadro que já foi visto e vivido antes por muitos, uma sombra pairando sobre muitos. Por isso, a sensação de que estamos em uma espécie de reprise dos tempos em que nossa inflação estava em índices alarmantes. Em uma rápida pesquisa no IBGE é possível traçar o histórico de inflação no Brasil desde a década de 1980 até 2020, tendo em vista o fato de não termos fechado o ano de 2021 ainda.

Tentando não fazer uso apenas de termos técnicos, tentarei narrar um pouco de coisas que cresci ouvindo falar e que achei que não veria acontecer novamente. Eram tempos em que para a maioria, ter dinheiro em mãos não significava muito, pois, em que questão de 24 horas ou menos o valor de um determinado produto subia significativamente a ponto do consumidor brasileiro não conseguir adquirir itens básicos. Isso te lembra algo?

No Brasil, a hiperinflação ocorreu nos anos 80 e início dos anos 90, quando a inflação galopante chegou a superar os 80% ao mês. Dessa maneira, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro. Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que entre 1980 e 1989, a inflação média no país foi de 233,5% ao ano. Na década seguinte, entre os anos de 1990 e 1999, a variação anual subiu para 499,2%.

Os índices citados, são atribuídos, través de estudos e pesquisas, aos gastos do governo militar, assim como as dívidas externas, adquiridas pelo mesmo “ governo”. E, saliento que, assim como nos tempos vigentes, o povo sofreu por decisões ou direcionamentos no mínimo equivocados, usando de eufemismo. Em outras palavras, a população sofreu em virtude da adequação de uma agenda econômica que não visava atender às necessidades da grande população! Esse fato, infelizmente é atualíssimo. Nesse ponto, é necessário destacar que as informações acerca da hiperinflação não se equiparam ao quadro atual, obviamente, trata-se de outra realidade e momento. Em contrapartida, a história é sempre uma boa conselheira, nos serve de lembrança e alerta, nos mostra o que aconteceu e nos permite reconhecer quando os fatos estão em modo de repetição. Acredito que a população não estivesse totalmente ciente na época, de que as coisas iriam agravar. Pequenas alterações vão surgindo sem que notemos… como um artista ao construir uma tela, pequenos toques, cores e nuances. Ao fim, o quadro completo.

2021, quase trinta anos depois, voltamos a ver famílias desesperadas em filas de supermercados, sem saber como comprar feijão, arroz, óleo. Não vou falar de carne… virou quase utopia para os menos abastados: a maioria! Isso sem que adentremos no quesito gasolina, ou no aumento das contas de energia. Mais um ponto riscado na lista de prioridades das pautas econômicas do nosso país. É um pandemônio econômico! Sobretudo, um tremor social. Há quem justifique o estopim de nossa atual crise atrelando-a ao contexto pandêmico, que diga-se de passagem, para muitos… está findado. No entanto, novamente faz-se necessário salientar que: apesar de uma crise sanitária abalar diretamente o setor econômico, não podemos nos esquecer do fato de que a própria crise foi um dos motivos do desvio e corrupção da coisa pública e que antes mesmo de chegarmos ao ponto em que estamos, já podíamos ver alguns indicativos das pautas prioritárias.

Para construir algo é preciso colocar tijolo por tijolo… até que se veja a forma do que havia sido projetado. Para desestabilizar um país em âmbitos econômicos e sociais ocorre da mesma maneira, aos poucos. Nesse caso, não fomos nós os idealizadores dessa obra de desconstrução. E, arrisco-me a afirmar que não queremos rever o enredo dessa história novamente. Não vale a pena viver essa história de novo! Vale?

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COMENTÁRIOS

Comentários 2

  1. Roberta says:

    O que não vale a pena é termos de volta na presidência do país um condenado comprovadamente corrupto que foi solto não por ser inocente e sim por troca de favores pois a situação que estamos passando hoje foi causada unicamente pela pandemia que quebrou vários países e ainda sim o Brasil é um dos que tem se saído melhor economicamente, onde o auxílio emergencial superou todos os anos do bolsa família, bem diferente da Argentina cujo presidente é socialista regime defendido por Lula e é tão nocivo que lá já falta tudo e, as pessoas começaram a migrar de lá para o Brasil. Com relação a corrupção no atual governo não há nenhum indício e mesmo que a tal cpi do circo tente imputar crimes a todo custo, a CGU concluiu que não houve sobrepreço na compra de vacinas, diferente de governos anteriores, onde tudo era superfaturado e as obras eram usadas para a desvios de bilhões e nunca concluídas. Hoje vemos obras que começaram e foram deixadas pelo caminho como pontes, estradas, transposição, ferrovias etc, serem concluídas em tempo recorde e divulgar isso infelizmente não interessa a imprensa brasileira no intuito de manter o povo desinformado mas, graças à Deus, hoje em dia, o povo tem mais acesso a informação e não acredita mais em falsas narrativas.

  2. Cidadã says:

    Bom tá é na Venezuela, Cuba e Argentina onde a esquerda governa e o povo tá fugindo de lá pra cá né? Kkkkkkkk

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