
Áudios e mensagens obtidos pela investigação que apura um suposto esquema de desvio de armamentos e munições do Exército para organizações criminosas fazem referência a um treinamento militar realizado em Paulo Afonso. O conteúdo foi revelado neste domingo (13) pelo programa Fantástico, da TV Globo, em reportagem sobre a investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Bahia.
Segundo a apuração, o cabo Deivison dos Santos Ferreira, lotado no Sexto Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, é investigado por supostamente negociar munições, granadas e armas com integrantes do tráfico de drogas. Ele está preso preventivamente desde agosto, por determinação da Justiça Militar.
De acordo com os investigadores, mensagens encontradas em celulares apreendidos durante uma operação em abril, em uma casa apontada como local de armazenamento e preparação de drogas em Itapuã, em Salvador, revelaram a possível ligação entre o militar e integrantes de uma organização criminosa.
Nas conversas, o cabo teria negociado preços, quantidades e datas de entrega de munições e granadas. Segundo a Polícia Civil, somente para um dos grupos investigados teriam sido negociadas cerca de mil munições de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62.

Referência a Paulo Afonso
Entre as mensagens analisadas pelos investigadores, há referências a treinamentos militares realizados em Paulo Afonso. Conforme a investigação, o militar teria indicado que pretendia obter mais material após uma dessas atividades.
A principal hipótese investigada é de que parte das munições e granadas utilizadas em exercícios militares, que deveria retornar ao controle e ao paiol da unidade após os treinamentos, teria sido desviada. Os investigadores também apuram a possibilidade de alterações nos registros de estoque para esconder eventuais diferenças.
A menção a Paulo Afonso, entretanto, aparece no contexto dos treinamentos militares citados nas conversas. A reportagem não aponta a cidade como local onde teria ocorrido a negociação ou a entrega do material aos criminosos.
Operação prendeu 33 suspeitos
Nesta semana, uma operação que contou com cerca de 250 agentes prendeu 33 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa investigada. As prisões ocorreram em diferentes cidades da Bahia, além de Sergipe e São Paulo.
Um dos mandados tinha como alvo o cabo Deivison, que já estava preso desde o mês anterior por determinação da Justiça Militar.
Em nota ao Fantástico, o Comando da Sexta Região Militar informou que o militar está preso preventivamente em uma investigação relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos. Segundo o Exército, ele permanece custodiado em uma unidade militar à disposição da Justiça.
A investigação também identificou conversas sobre possíveis negociações de pistolas e fuzis. Ainda segundo a Polícia Civil, não há confirmação, até o momento, de que essas armas tenham sido desviadas do Exército.
A apuração continua para identificar a origem do material e verificar se outras pessoas participaram do suposto esquema. A Polícia Civil afirma que ainda é prematuro apontar o envolvimento de outros militares.
A defesa de Deivison dos Santos Ferreira afirmou que ele nega todas as acusações e que os fatos serão esclarecidos no momento oportuno. Os advogados também disseram trabalhar para revogar as prisões.






