23 de maio de 2026

Os conchavos políticos e a Festa do Bomfim. Por Francisco Nery Júnior

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REDAÇÃO - PA4.COM.BR




 

 

Dia 16 de janeiro, fui à festa do Senhor do Bomfim em Salvador onde nasci. Bela providência enquanto aguardo um procedimento médico marcado para o dia seguinte. Moro bem perto da igreja e desci para contemplar o cortejo que traz a imagem católica do Filho de Deus da Igreja da Conceição da Praia para a Basílica do Senhor do Bomfim na assim chamada Colina Sagrada. O meu interesse é o aspecto histórico-social da demonstração da mais pura baianidade.

 

Enquanto os políticos se “organizam” nos vários e incompreensíveis ajuntamentos eleitorais, em ano de eleições municipais, o povo simplesmente desfila do Elevador Lacerda até a Colina do Bomfim. Para ele e para o cronista, são incompreensíveis, senão oportunistas ou esdrúxulos. O jeito é desfilar. No desfile, parece que toda a Bahia se desloca para a Cidade Baixa. São milhares de alienados conscientes que vão para o eixo sagrado de corpo e alma na esperança de encontrar algo que faça sentido no fim da caminhada. Cansado de entrar em beco e sair de beco, o povo busca a ajuda do Senhor do Bomfim. É a Madalena do poeta que, desta vez, não olha para a produção agrícola nem para a pecuária, mas para algo que julga transcendental. Decepcionado, sem emprego e desprezado, quem ajuda é o Senhor do Bomfim.

 

Pode-se observar, no episódio e no momento da procissão de oito quilômetros, o completo colapso da construção social que gostamos de chamar de pirâmide. As classes se misturam e se soldam no mais profundo e doce comunismo. Todos se falam, se tocam e se respeitam numa tocante demonstração de que o que importa no momento é a Bahia. Caminham alegres e pródigos esquecidos das dificuldades econômicas e das mazelas políticas do país. Todos, quase todos, com a lata de cerveja na mão, vivem o paraíso em que desejariam viver todos os outros dias do ano.

 

O desfile de 2020 foi uma só alegria. Quase não apareceram gritos de protesto ou palavras de ordem. Uma ou duas faixas passavam acima das nossas cabeças. E o povo seguia alegre e descontraído como na velha Bahia dos séculos anteriores.

 

Seria, então, a comprovação talvez paradoxal, que há desenvolvimento? O povo estaria verificando que as coisas estão menos ruins? O prefeito ACM Neto ajeita a cidade, implanta o sistema de transporte BRT e constrói o “Caminho da Fé” entre as Obras Sociais Irmã Dulce, agora Santa Dulce dos Pobres, e a Igreja do Bomfim. O governador Rui Costa anuncia a ampliação da linha do metrô para Cajazeiras, a construção da ponte Salvador-Itaparica e a implantação do sistema VLT (veículo leve sobre trilhos) para o subúrbio e o presidente Jair Bolsonaro ressalta os indicadores econômicos melhorarem, o comércio exterior se firmar e o conceito do Brasil subir alguns pontos lá fora.

 

Da janela da minha casa, enquanto redijo o texto, contemplo o rio de gente ainda pujante no entorno do templo sagrado. Vivem o momento longe dos aperreios do dia a dia. Esvaziam as latinhas e se divertem. Assim sendo, a explicação estaria no que foi dito no parágrafo anterior?

 

Francisco Nery Júnior




 









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