1 de agosto de 2021

O Nordeste, o Rio São Francisco e a questão nuclear (Profº Msc: Manoel Pereira)

Por

Prof.Msc. Manoel Pereira

Há muito que se ventila a possível construção de usinas nucleares às margens do rio São Francisco. Segundo o Plano Nacional de Energia (PNE)– 2050 aprovado em 2020, duas localidades possuem excelentes condições para abrigar a usinas geradoras de energia nuclear: uma na cidade de Itacuruba em Pernambuco e outra entre a usina de Xingó e a foz do rio, nas fronteiras dos estados de Alagoas e Sergipe. Entretanto, a ideia da instalação de usinas nucleares, em especial na cidade de Itacuruba, vem causando na população que habita a região muita comoção e ações antinucleares, com passeatas, comícios e palestras.

Essas pessoas enfatizam o lado negativo do uso energia nuclear, pautando-se em alguns acidentes como o da usina nuclear de Chernobyl, que segundo eles causou a morte de milhares de pessoas, quando na verdade o número não passa de 70; o acidente na usina de Fukushima, que registrou um óbito e no caso de Goiânia, onde um artefato radiativo encontrado em um aparelho médico abandonado de forma irregular ocasionou 4 mortes.

Também se alardeia o fato que na Alemanha foram fechadas todas as usinas nucleares, tornando-se grande destaque entre os eco defensores das energias “limpas”. Todavia, o povo alemão tem pago uma conta de energia muito mais cara que antes da desativação das termonucleares, pois agora é necessário a importação de energia elétrica gerada por uma usina nuclear francesa e por conta da implementação de usinas eólicas e solares, que cobram mais caro por seus usos. Já a Itália, possuía duas unidades de geração nuclear de energia que foram desligadas após o acidente de Chernobyl, mas com o crescimento da demanda da energia elétrica, o país se viu forçado a importá-la. Adivinha de onde? Isso mesmo, de uma termonuclear francesa.

Sabe-se que o rio São Francisco tem diminuído sua capacidade hídrica de gerar energia elétrica a cada nova onda de seca que assola a região em períodos cíclicos. Em 2015, por exemplo, o nível da barragem da usina de Sobradinho, atingiu 2,5% de sua capacidade, batendo o recorde de 2001, que foi de 5,46%, afetando quase todo o fornecimento de energia elétrica para a região Nordeste, forçando o uso de termoelétricas, mais caras e geradoras de poluição.

A partir dos estudos do PNE-2050, a implantação de usinas nucleares no Nordeste possibilitaria um aumento de até 80% na geração de energia elétrica na região, atraindo investimentos, empregos, estabilidade na matriz energética da região e royalties. Só de ISS (imposto sobre serviço), projeta-se que a cidade de Itacuruba poderá receber cerca de 150 milhões de reais e o investimento nas usinas pode chegar na ordem de 50 bilhões de reais, até o ano de 2050. Vale ressaltar que os impactos ambientais na construção de uma usina termonuclear são muitos poucas e que as mesmas já são planejadas pensando como serão estocados os resíduos dos materiais radioativos usados.

Segundo o repórter da Veja, Alessandro Giannini, em matéria publicada no em 9 de abril deste ano, no momento existem 440 reatores nucleares em funcionamento em 32 países e que graças as essas usinas, 60 bilhões de toneladas de CO2 não foram lançados na atmosfera nos últimos 50 anos. Durante esse tempo, só há registro de 3 acidentes, um nos EUA em 1979, Chernobyl, em 1986, na então União Soviética e em Fukushima, no Japão, no ano de 2011.

Muito se fala sobre preservar, ajudar e revitalizar o rio São Francisco, mas medidas efetivas não são tomadas e mesmo que isso aconteça, não se salva um rio da noite para o dia. A médio prazo, poderemos ter uma crise energética sem precedentes em nossa região Nordeste. O uso da energia nuclear vai além da questão da geração da energia elétrica. Está ligada à fabricação de fármacos para o tratamento de câncer, no desenvolvimento da agricultura, principalmente no aumento da produção de alimentos e das melhorias na área de exames clínicos e de imagem.

Precisamos ressignificar e ampliar o debate sobre a questão nuclear no Nordeste, isto é fato! Mas para isso, é necessário debater com pessoas que sejam formados na área e não somente ficar sujeitos as opiniões negativas daqueles que “acham” que tem algum conhecimento sobre tema. Só assim, podemos possibilitar um futuro mais prospero e digno para o povo de nossa amada região.

 

ProfºMsc: Manoel Pereira.

É físico, professor e divulgador científico, com o canal Ser Tão Ciências.

Insta: @sertaociencias @manobass

Para maiores informações consulte os links abaixo:

 

REFERÊNCIAS

Entrevista com o Professor em Tecnologia Nuclear, Carlos Zeituni

https://www.youtube.com/watch?v=bOuIDvv7eyo&t=126s

 

Reportagem da veja

https://veja.abril.com.br/economia/usinas-nucleares-para-continuar-a-existir-elas-terao-que-se-reinventar/

 

Sobre os investimentos na área nuclear para o nordeste

https://www.agendaa.com.br/negocios/economia/8413/2020/07/13/usina-nuclear-a-beira-do-sao-francisco-pernambuco-quer-atrair-central-para-o-sertao-e-alagoas

 

Sobre o PNE- 2050

https://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2021/02/13/professor-da-poli-bate-sem-pena-nos-criticos-da-usina-nuclear-em-itacuruba/

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COMENTÁRIOS

Comentários 3

  1. Robson Suzart says:

    Energia nuclear é uma bizarrice… Temos tanto sol e vento, por que usar algo que provoca uma passivo ambiental perigoso e duradouro? Como podemos produzir um lixo perigoso que dura em torno de 50.000 anos pra se decompor. Isso somente pode ser explicado pela perversidade capitalista de busca a concentração de renda e dominação tecnológica de alta complexidade. A produção de energia solar é relativamente barata e está acessível a quase todo mundo… Por isso não é estimulada. Pra o grande capital, é muito melhor manter o poderio energético concentrado na mão de poucos… O poder nuclear deveria ficar restrito ao uso na medicina salvando vidas!!!! Produção de energia tem que ser com recursos renováveis e de preferência com tecnologia simples.

  2. Adalberto do Rêgo Santos says:

    Muito bom dia, a matéria exposta é de grande importância em nossas vidas uma vez que se trata do pilar principal da economia mundial(energia), nunca se precisou tanto dela, interessante que com as crescentes no mundo tecnológico e com produtos cada vez mais eficazes em consumo nos deparamos com um contraste, de um lado o avanço tecnológico e do outro uma degradação cada vez maior de nossas fontes naturais, é como se a natureza se vingasse de alguma forma. Mas especificamente falando do tema em questão, meu ponto de vista é que devemos cada vez mais detalhar e usar uma transparência envolvendo necessidades, pontos positivos e negativos e iniciar as ações mais coerentes, porém em um pais onde cada um pensa em seu pedaço e onde os valores que importam são os das cifras monetárias certamente que a decisão tomada será a quem mais favorecer.
    Ainda particularmente exergo o Nordeste pouco aproveitado no grande potencial de energia limpa seja ela Eólica ou solar que possuímos, e por termos características especificas esses fatores deveriam receber cada vez mais incentivos governamentais para serem criados, mas o que tramita é uma lei no congresso para sobre taxar as contas de quem possuem em suas casas o uso de energia solar mesmo que o individuo tenha colocado com seu próprio recurso, ou seja, estamos em um pais sem cultura social e o que vale é defender meu lado, lamentável mas…

    Por fim a energia citada é sem sombra de dúvidas algo que se perfeitamente criado e bem gerido será muito bem vinda uma vez que se torna quase inacabável e com um potencial absurdo de atendimento, não é atoa que as grandes potencias mundiais(como a Alemanhã) as colocam em uso porem sempre são países que tem um fundamento histórico bem diferente do nosso e isso me assusta muito.

    Em resumo, ainda não me cinto capaz de votar contra ou a favor da criação dessa fonte em nosso meio, como citado precisamos de mais detalhes sobre tal. Parabéns Professor pelo tema levantado!!!

  3. Francisco Nery Júnior says:

    O texto é esclarecedor e convida ao debate que esperamos elegante. Todos sabemos dos avanços científicos advindos da exploração nuclear. Mas também sabemos que não é necessário ser doutor em pimenta para sentir os efeitos do ardor na boca..

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