Por

SiteÉpoca

Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, publicou em seu perfil a notícia de que o brasileiro Hugo Barra está assumindo a liderança da área de realidade virtual da companhia. É a divisão da empresa que desenvolve tecnologias como o Oculus Rift, óculos de realidade virtual comprado pelo Facebook em 2014.

 

 

Barra será responsável por ampliar a presença do Facebook, hoje usado por quase 2 bilhões de seres humanos, para um universo totalmente novo. É verdade que a tecnologia de realidade virtual não está madura o suficiente para oferecer “um mundo novo cheio de novas possibilidades”. Particularmente, acredito mais na realidade aumentada – aquela que projeta elementos visuais em nosso campo de visão – do que na realidade virtual. Entre os principais motivos, está uma cena um tanto assustadora que publicamos aqui no Experiências Digitais no ano passado. Mas eu estou aqui sentado em minha mesa de trabalho no bairro do Itaim, em São Paulo, enquanto Zuckerberg está cercado pelos melhores engenheiros do mundo no Vale do Silício.

 

É de imaginar que o tamanho do mercado que a realidade virtual pode criar nos próximos anos seja algo próximo do que o iPhone e seus aplicativos criaram uma década atrás. Ou seja, gigantesco. Sem me alongar muito, basta pensar no impacto que a realidade virtual poderá ter na educação à distância (poder estar dentro de uma sala de aula em qualquer lugar do mundo), no varejo (visitar uma loja de tapetes no Uzbequistão e comprá-lo), na indústria (para a criação de projetos e protótipos) etc. Isso sem contar o fato de que a realidade virtual tende a se tornar uma plataforma (como o Android e o iOS são) pronta para receber milhões e milhões de aplicativos com funcionalidades diferentes. E daí estamos falando de um mundo de inovações impossível de prever. Ou alguém cogitou algo parecido com o Uber assim que o iPhone foi lançado?

 

Esse me parece o maior desafio da carreira de Barra até hoje. E caso tenha sucesso nesta empreitada, pode ser apontado no futuro como um dos responsáveis por redefinir o futuro de um Facebook que ainda não conhecemos. Se você acompanha o mundo da tecnologia, já deve ter esbarrado no nome dele. O mineiro de 40 anos vem há anos trilhando uma carreira exitosa. Despontou no início desta década no Google, quando se tornou um dos líderes da divisão de celulares Android. Entre 2011 e 2013, apareceu nas listas de brasileiros mais influentes da revista ÉPOCA, e de executivos de maior destaque da Wired e do site Business Insider.

 

EXPANSÃO Lei Jun e Hugo Barra (à dir.) em apresentação na China. O desafio é replicar o sucesso em outros países (Foto: AP)

 

Em 2013, Barra optou por deixar o Google em direção à China, uma troca que causou surpresa em quem acompanhava sua carreira. Barra assumiu o cargo de vice-presidente responsável pela expansão internacional da Xioami, chamada à época de “Apple chinesa”. A empresa chegou a ostentar o título de startup mais valiosa do mundo. Uma coincidência de fatos transformou sua mudança de continente numa novela. Segundo a imprensa internacional noticiou à época, a decisão fora tomada por causa do envolvimento de sua ex-namorada Amanda Rossberg, funcionária do Google, com Sergey Brin, fundador da empresa. Em entrevista à época para este que vos escreve, Barra negou. Disse se tratar de uma decisão profissional, que representaria uma passagem do mundo da engenharia para um cargo mais ligado a negócios.

 

Barra chegou a trazer a Xiaomi para o Brasil em 2015. Mas as dificuldades de expansão internacional da empresa e a crise econômica brasileira fizeram com que a Xiaomi abandonasse os negócios no país de uma forma não muito profissional, como contou o colega Thássius Veloso, do TechTudo. Ver sua empresa falhar em seu país foi um grande revés – dos poucos que Barra teve em sua carreira.

 

Em seu Facebook, Barra escreveu um longo texto, do qual extraio um trecho: “Me mudei para 6.500 quilômetros da minha zona de conforto no Vale do Silício para construir a partir do zero uma startup. Foi uma viagem espetacular em todos os sentidos, mas percebi, nos últimos anos, que viver em um ambiente tão singular teve um peso muito grande e começou a afetar minha saúde. A Xiaomi retomou seu caminho de expansão global e se há uma boa hora para voltar para casa é agora”.

Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

VEJA MAIS

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.