Por

REDAÇÃO - PA4.COM.BR

Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print
Imagem: ilustração






Magno Santos era meu colega de Cetepi. Com todo gosto de ser advogado dos bons, dava aulas nos cursos profissionalizantes da escola. Sabíamos os dois que a recompensa, que é o desenvolvimento das habilidades do aluno, o nosso prazer de ser professor, não é imediata. O reconhecimento só chega aos ouvidos, passando pelos cabelos esbranquiçados da barba, anos depois. As pedras do caminho e as incompreensões, melhor deixá-las de lado.

 

Magno sempre me cobrava escrever sobre educação. Me pressionava por educação. Sabia ser a educação a única redenção dos oprimidos. Dos sem-teto, dos abandonados ou dos descamisados. Tive conhecimento do resultado de uma experiência de campo feita por um grande educador. Dos alunos das classes menos favorecidas, os melhores resultados foram daqueles que, de algum modo, tinham sido criados em ambientes culturais. Em outras palavras, o pesquisador, considerando o conceito de cultura e educação, verificou que a cultura facilita exponencialmente, ou potencializa, se o leitor preferir, o processo educativo.

 

A libertação a que nos referimos – a educação – se consubstancia, se expressa ou se realiza na busca de soluções para os problemas sociais, econômicos e espirituais. A alma educada sempre encontrará, de um jeito ou de outro, solução para os problemas existenciais. No mínimo, achará um meio de atenuá-los. A pandemia do Covid-19 expôs, mais uma vez, as nossas desigualdades. A televisão nos mostrou uma representante de uma ONG, num trabalho belíssimo de amor ao próximo, levando uma cesta básica a uma família absolutamente miserável e desassistida no sertão do Brasil. O triste casebre só estava de pé pela misericórdia de Deus. Imprecisão total chamá-lo de casa. O que podemos considerar, data vênia do Magno advogado e dos leitores, é que as pessoas daquela casa, daquela miséria e daquele abandono teriam conseguido melhorar a sua situação de miséria se tivessem sido submetidas a um processo educacional. Teriam buscado uma solução. Engendrariam um meio. Protestariam e exigiriam o seu direito de ser igual. Se organizariam e mostrariam ao mundo a incompreensível desigualdade social do Brasil. Sofreriam perseguições e iriam até a morte. Tombariam lutando.

 

De volta ao fio da meada, tempo na escola e ambiente cultural potencializam a educação; além do envolvimento da família e da negociação da convivência. Temos conhecimento de um diretor que recebia diariamente os alunos na porta da escola. Incentivava os professores a priorizar o processo de análise em detrimento do copiar no quadro. Chegava perto, incentivava e procurava prover os meios para as atividades chamadas extracurriculares.




 

Nesse escopo, a título de contribuição e sem espírito de pavão, como um, como dizem os americanos – temos bons professores em Paulo Afonso que, perdido o medo das incompreensões, seriam grandes educadores – procurei dar a minha contribuição. Tirando proveito da minha matéria inglês, convidava os alunos a saírem da sala e dava aula ao ar livre falando inglês. Falávamos inglês! Quase invariavelmente o comentário: “Assim a gente aprende mais”. No colégio Benjamim Sodré, consegui um transporte com a Prefeitura e levei os alunos para uma visita à Rádio Bahia Nordeste, o que deixou o Diretor da Rádio preocupado com a “invasão” e motivou uma colega a me classificar de corajoso. Estávamos estudando o processo de comunicação.

 

Outra experiência aconteceu na “roça” da família de um dos nossos alunos do Riacho que denominamos aula de campo. Saímos das quatro paredes e partimos para uma aula de conversação no campo, ambiente da maioria dos alunos. A aula foi dada por uma americana, que estava na cidade, com a minha assistência e intervenção, quando indispensável, ao pé da Serra do Umbuzeiro, ao coaxar dos sapos e regada pelo canto dos passarinhos.

 

Por fim, uma aula/conferência no auditório do Cetepi por dois alunos de Paulo Afonso com curso de aperfeiçoamento no exterior. O idioma da aula foi inglês. O objetivo principal foi os alunos estarem imersos em um ambiente natural onde se falava inglês sem a preocupação das tão temidas regras de gramática e concordância. Um dos “conferencistas” era aluno do IFBA (Instituto Federal de Educação da Bahia). O outro, Rafael Alves, também do IFBA, filho do professor mestre em pedagogia Francisco Alves do IFBA. Rafael cursou o segundo grau no Cetepi, antigo Ciepa, o que abona todo o conteúdo desta matéria.

 

Francisco Nery Júnior



Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

VEJA MAIS

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.