2 de agosto de 2021

“Nem golpe, nem impeachment”. Por Francisco Nery Júnior

Por

Redação (pa4.com.br)

Presidente Jair Bolsonaro e presidente da Câmara, Arthur Lira
25/03/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino

 

Dos quais estamos cansados. Insurreições, quarteladas, revolução, golpes e impeachments. Não teremos nada disso. Se depender do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, não teremos. Cuidadoso e hábil, o que o levou à presidência da Câmara, usou os termos ruptura e destituição.

É o que diz, não sendo necessariamente o que pensa. É o que tem que dizer para os brasileiros em um Brasil que precisa decolar. O Brasil é uma aeronave que, pronta e abastecida na pista, não consegue decolar. Os observadores internos e externos não conseguem entender. Usam de malabarismos e recursos de linguagem para nos explicar o que não entendem. Arthur Lira e outros brasileiros em posição de comando deixam transparecer que aguardam o desenrolar dos acontecimentos sem se comprometer de antemão.

Queremos voltar a 1964 não para reviver a epopeia da tomada do poder pelos militares, mas para comparar a marcha dos acontecimentos. Início de insatisfação popular, todo mundo a opinar, notas e esclarecimentos de todo tipo e uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a gestão da pandemia do Covid-19 que quer mesmo é derrubar o presidente da República. Se o próprio presidente contribui para isso tudo, não vem ao caso nesta nossa conversa com o leitor.

Parece ponto pacífico que os militares não desejam dar golpe. [Ainda] não estamos em uma situação de anarquia e os clamores da rua são insuficientes. O bônus de suportar uma ruptura não compensaria a responsabilidade de uma ruptura. Todavia, a Constituição Federal lhes atribui a responsabilidade de manter a ordem interna em caso de anarquia.

Os militares brasileiros, no nosso entender, estão atentos à reação popular ante a estagnação do processo de desenvolvimento no que concerne às chamadas reformas. Atualização de salários, aumento do número de empregos, melhores condições de moradia, diminuição do fosso entre as classes sociais, corte de mordomias, início de obras de infraestrutura; nada disso acontece. E se a insatisfação popular chegar a níveis perigosos com a quebra da ordem interna, eles provavelmente intervirão mais rapidamente que em 1964. Segundo alguns historiadores, os militares brasileiros demoraram muito a tomar a decisão de intervir, o que só aconteceu quando eles sentiram o apoio maciço da classe média e de órgãos poderosos de representação de segmentos da sociedade.

É fato que a esquerda se organizava e poderia ter tido a iniciativa do golpe. Provavelmente não obteve a garantia de apoio ostensivo da União Soviética que, em apoiando o golpe, arriscaria um provável confronto com os Estados Unidos. Os americanos haviam, em 1962, infligido uma humilhante derrota aos soviéticos ao executar o bloqueio naval de Cuba com a consequente retirada dos mísseis russos, a famosa crise dos mísseis balísticos.

A nosso ver, um fator que contribui para a deterioração do quadro político atual – e para o desânimo da maioria dos brasileiros – é o não surgimento, até o momento, de uma candidatura sólida de terceira via para a Presidência da República em 2022. Um terceiro nome na corrida presidencial, além de Lula e Bolsonaro, reforçaria a representatividade tanto de Lula quanto de Jair Bolsonaro.

Não se trata de assustar os leitores de Paulo Afonso. De fato, a situação de pandemia da Covid-19 e a memória da interrupção não convencional dos Governos Jânio Quadros, João Goulart, Fernando Collor e Dilma Rousseff (não faltando a morte inesperada de Tancredo Neves internado na noite anterior à posse) deixam os brasileiros sem ação. Estamos todos cansados de instabilidade institucional.

Enquanto isso, vamos botando as nossas barbas de molho.

Francisco Nery Júnior

P.S. Esta matéria foi redigida em 11.07.21. Face às últimas declarações e aos últimos posicionamentos, mormente em relação às eleições de 2022, em Brasília, ela sairia “nuançamente” diferente. Este post scriptum foi acrescentado em 22.07.2021.

 

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COMENTÁRIOS

Comentários 5

  1. O autor says:

    Duas referências para melhor balizamento do leitor: “Os militares não intervêm. Eles são solicitados a intervir” (Afonso Arinos de Melo Franco) e ” [Na forma em que está] o Brasil é ingovernável” (Professor Antônio Delfim Neto).

    • Sonival bezerra says:

      Militar não tem absolutamente nenhum argumento constitucional para qualquer tipo de intervenção. Devem ter participação quando solicitado por um dos poderes da República. Tá lá na Constituição. Da mesma forma que presidente de República não tem absolutamente nenhum poder de intervenção que venha a inibir outros poderes.
      Sobra motivos para que o atual executivo seja interpelado. Exatamente pela sua atuação indevida desrespeitando os preceitos constitucionais.

  2. Cidadã says:

    O maior causador de instabilidade é o supremo

  3. Fernanda says:

    Tudo na vida evolui, principalmente em tecnologia. Então, por que inventam tanta mentira sobre as novas urnas e, esse medo todo de evoluir de uma de primeira geração para uma de segunda geração mais avançada tecnologicamente, onde o voto impresso não será levado para casa por ninguém e poderá somente ser conferido pelo eleitor através de um visor e depois cairá automaticamente em uma urna, sem nenhuma intervenção humana?

    • Oliveira says:

      Acredito Fernanda que para a esquerda brasileira dos quais a maioria esmagadora do STF faz parte defende o que o “Daniel” disse a um tempo atrás o seguinte: “Ganhar a eleição é diferente de tomar o poder” entende? Com essas urnas fica mais fácil tomar o poder.

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