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REDAÇÃO - PA4.COM.BR

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Em setembro de 2017, Abel Barbosa, aos 90 anos, recebeu o título de Cidadão de Paulo Afonso. Foto: Arquivo Arnaldo Ferreira.



 

 

Duas premissas antes da escrita: os fatos ficam registrados para proveito das gerações futuras e os mais velhos sempre têm o que ensinar. No beco sem saída, o pulo do gato, aquele que não está nos manuais, quase sempre é a salvação. Como feliz é a nação que preza os seus idosos e considerando que o DNA da minha bisavó índia – os índios ouvem os seus avós – está nas minhas veias, só ganhamos se lembrarmos Chefe Abel.

 

Algumas das histórias já foram contadas, mas, considerando o repetitio mater studiorum est dos romanos (a repetição é a mãe dos estudos), vamos lá. Primeiro, descartar a falácia que o prefeito Abel distribuiu terrenos (hoje valiosos) para os amigos. O consenso era que Paulo Afonso iria “murchar” após a conclusão do ciclo de obras da Chesf. A ideia era “fazer um pé de meia e cair fora”. A estratégia – que funcionou – do prefeito era a consolidação do município. Esta a nossa leitura.

 

Se estivéssemos num embate jurídico, poderíamos arguir que os terrenos foram, efetivamente, vendidos. Os preços foram irrisórios, mas foram vendidos, da mesma forma que os imóveis do Acampamento Chesf, anos depois, foram teoricamente vendidos. Por outro lado, os beneficiados não foram necessariamente “amigos” do prefeito. Testemunhei um colega de escola, que não tinha nenhuma ligação política ou familiar com Abel Barbosa, amanhecer em pé na porta da casa do prefeito (Abel morava na mesma rua em que moro até hoje). Ele “comprou” dois terrenos no bairro que, depois, levou o nome de Bairro Abel Barbosa.

 

Eu era coordenador de área no Ciepa. Junto com Inglês e Educação para o Lar, coordenava a área de Técnicas Agrícolas. A escola deve ser parte integrante da comunidade. Quanto mais tempo o aluno permanecer na escola, melhor o seu desenvolvimento. Então debatemos, o time de peso composto por Terezinha, Helena Barbosa (já falecidas), Nazaré Feitosa e Ivone, e resolvemos propor ao prefeito da cidade fazermos uma praça onde hoje está a Praça do Lions Clube.

 

Abel prontamente puxou do armário ao seu lado uma planta (exatamente a que viria a ser executada anos depois) e sugeriu que nós a realizássemos. Fizemos o possível: grama, alguns canteiros de crótons e flores e uns dois banquinhos. Bem que funcionou. Até pouco tempo antes, não havia uma só área urbanizada fora do muro da Chesf. A Praça Abel Barbosa, no Centro, foi, salvo engano, a primeira praça da cidade.




 

Para o início do trabalho, ficou acertado que a Prefeitura colocaria um ponto de água no local e despejaria duas ou três caçambas de barro vegetal. Era tudo de que precisávamos. O prefeito chamou um seu assessor de nome Orlando e lhe deu a tarefa. Dois, três dias; duas, três semanas, e nada do material. Voltamos ao prefeito. Abel Barbosa chamou Orlando que se queixou que “esse professor é apressadinho”. E Abel redarguiu: “É porque ele ainda não sabe o que é o serviço público”. O diálogo foi presenciado pelo professor Antônio Galdino.

 

Antes de iniciada a nossa tarefa, a única recomendação foi que nós evitássemos o plantio de cactos ou mandacarus. “Isso é bonito para eles lá do sul”. “Não se preocupe, senhor prefeito, nós concordamos com o senhor”, respondi.

 

Havia um impedimento qualquer cuja solução envolvia um órgão estadual. Como eu não consegui resolver, sugeri que o prefeito ligasse para o “chefe” do setor. Ao que Abel observou: “Se temos que ligar, eu ligo diretamente para o chefe dele lá em Salvador”. A solução foi encontrada sem necessidade da ligação.

 

Comentamos, recentemente, a colocação do nome da mãe de Abel Barbosa em um colégio da cidade. Segundo o professor Antônio Galdino, a colocação do nome foi feita a contragosto do prefeito.

 

E para encerrar, o testemunho do atual prefeito Dr. Luiz Barbosa de Deus que atesta a grandeza e o despojamento do prefeito Abel Barbosa e Silva. Cumprido o seu mandato, recolhido à sua residência, Abel “nunca pediu nada” aos prefeitos subsequentes.

 

Francisco Nery Júnior



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COMENTÁRIOS

2 respostas

  1. Paulo Afonso não terá mais politicos como Chefe Abel, que governou a cidade quando nem salário sequer tinham prefeito e vereador, esse realmente amava Paulo Afonso.

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