
A Polícia Científica de Alagoas identificou a presença de metomil, um inseticida de uso agrícola, nas amostras biológicas de Gilberto Alves Vicente, de 36 anos, que morreu após passar mal junto com outros seis homens durante a feira livre de Pariconha, no Sertão de Alagoas, no último domingo (26).
O material foi coletado durante a necropsia realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca e analisado pelo Laboratório de Química e Toxicologia Forense.
Segundo a investigação, testemunhas relataram que as vítimas consumiram uma bebida conhecida como “Rapa de Pau” antes de apresentarem sintomas de intoxicação. No entanto, até o momento, não há confirmação de que o metomil estivesse presente na bebida. A amostra apreendida continua sendo analisada, assim como o material biológico coletado dos seis sobreviventes.
De acordo com o perito criminal Thalmanny Goulart, chefe do Laboratório de Química e Toxicologia Forense da Polícia Científica, o metomil atua no sistema nervoso e pode provocar intoxicação grave. Entre os sintomas estão náuseas, vômitos, diarreia, tremores, fraqueza muscular, alterações cardíacas e dificuldade para respirar. Em casos mais severos, a substância pode causar paralisia da musculatura respiratória e levar à morte.
O metomil é um inseticida autorizado para uso agrícola no Brasil e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um agrotóxico altamente perigoso.
O resultado do exame foi encaminhado aos delegados responsáveis pela investigação, Rodrigo Cavalcante e Carlos Melro, além da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), para auxiliar no acompanhamento clínico dos pacientes internados.
Relembre o caso
Gilberto Alves Vicente e outros seis homens passaram mal durante a feira livre de Pariconha e foram socorridos ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia. Gilberto não resistiu e morreu na unidade hospitalar. Conforme informado anteriormente, ele tinha histórico de dependência alcoólica e crises convulsivas.
Os outros seis pacientes permaneceram internados sob acompanhamento médico. Até a última atualização, o estado de saúde deles não havia sido divulgado.
A Secretaria de Estado da Saúde trata o episódio como um caso de intoxicação exógena, provocada pelo contato ou ingestão de substâncias externas ao organismo, como agrotóxicos, medicamentos ou produtos químicos.





