26 de setembro de 2021

Gestantes LGBTQIA+: Da invisibilidade à representatividade (por Evelyn Santana)

Por

Redação (pa4.com.br)

 

Por Evelyn Santana

Gestantes fazem parte da construção feminina desde os tempos mais remotos. A continuidade da vida através da procriação sem sombra de dúvidas está associada à imagem feminina ou à imagem de uma mulher. Por vezes como uma obrigação, como algo que perpassa sua vontade e individualidade. A correlação maternidade x mulher se posta para essa categoria quase que como um dever. Entretanto, apesar desse fato se expressar enquanto uma das múltiplas problemáticas que se imbricam no cotidiano feminino, se observada sob o prisma da obrigação podemos afirmar que contrapõem a outras mulheres como uma impossibilidade ou invisibilidade.

15 de agosto foi o dia da gestante. Vimos inúmeras homenagens, propagandas, campanhas. Todas mais do que merecidas, afinal, gerar uma vida não é um trabalho fácil, tampouco finda-se com o passar dos nove meses. Posta esta questão… qual seria o problema desta linda e merecida data? Por que falarmos sobre ela?
Esse foi o norte do meu questionamento antes de escrever acerca. Sei bem que enquanto sociedade já avançamos em muitos âmbitos no que diz respeito a representatividade no que concerne à comunidade LGBTQIA+. Mas será que avançamos o suficiente? A maioria das campanhas com as quais tive o contato, representavam ou reproduziam uma realidade que não pode ser aplicada a todos. Voltaria aqui e faria um novo texto com errata, caso não tivesse visto majoritariamente casais heteronormativos no dia quinze de agosto. Em outras palavras: homem e mulher.

A existência da sigla citada acima, ao contrário do que muitos pensam não é desnecessária. Não se trata de uma junção de letras aleatórias. É a de vidas, pessoas, vivências, histórias e lutas. Mulheres lésbicas são mães, homens trans podem engravidar, bissexuais também. Onde estavam essas pessoas nas campanhas? Onde estavam suas histórias e suas gestações? Ao encarar as frases desse texto os leitores podem julgar minha fala um tanto quanto enfática. Deixo essa interpretação livre.

Escrevo através de observação, questionamento, estudo e sobretudo, com o comprometimento de utilizar as palavras como uma ação social.

Não irei me ater a diferenciar gênero de orientação neste texto. O foco é salientar que diante de todos os obstáculos e preconceitos encarados quando falamos sobre a comunidade LGBTQIA+, sublimar a existência de gestantes que não se fixam nos padrões da heteronormatividade não seria mais uma reprodução do nosso preconceito? Não seria negar a existência e anular a resistência de pessoas?

Convido-lhes a pensar fora da caixa de vidro em que fomos criados. Fora do contexto de “ certo e errado”, “ normal” e “ padrão”. Porque fora desta zona de conforto sociocultural… existe a vida, existem vidas. Se quebramos o vidro dessa caixa veremos com mais lucidez. E imbuída de otimismo e esperança, acredito que possamos quebrar paradigmas e construir um futuro em que escrever sobre representatividade não seja mais necessário. Talvez como uma lembrança. Apenas…

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