Francisco Nery Júnior: A falta da Reforma Administrativa em um país desigual

Por REDAÇÃO - PA4.COM.BR | 13 de agosto de 2020 às 22:55

Da esquerda para a direita: Davi Alcolumbre, Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia, em frente ao Alvorada. Foto: Poder 360



 

 

O presidente Jair Bolsonaro se apresenta proativo e a maioria do Congresso Nacional é reformista sem muita dúvida. Todavia, a máquina de governo anda a passos de tartaruga, para não dizermos não anda. Precisamos de reformas – que não vêm. A Tributária permanece em análise no Congresso e a Administrativa está congelada desde janeiro por força do ano eleitoral. A política, provavelmente a principal, nem pensar! Triste para o Brasil que as medidas fundamentais que se impõem para o seu desenvolvimento tenham que ir para o congelador para não atrapalhar a campanha eleitoral dos políticos.

 

E as indecências continuam em um país ainda carente dos substratos básicos de um país desenvolvido cujo presidente dá sinais de cansaço e parece estar no caminho de entregar os pontos. Com isso queremos dizer que começa a ceder em nome da composição de forças, do equilíbrio dos poderes e da necessidade de governabilidade. Temos o velho e conhecido “Centrão” restabelecido dominado pelas figuras que bem conhecemos. Difícil deixar de acreditar no ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que afirmou que “Se Jesus fosse presidente do Brasil, teria que fazer pacto com Judas [para governar]”. Triste e lamentável constatação.

 

Se todos são iguais perante a lei, não obstante o princípio do mérito, como não ficar impaciente em um país atolado onde as desigualdades são profundas e as imoralidades são gritantes e inadmissíveis? O que poderia o brasileiro pagador de impostos, amante da sua pátria, fazer? Para quem poderia apelar? Que exemplo seguir?

 

Num país onde mais da metade dos trabalhadores ganha não mais que dois salários mínimos por mês (mínimo de R$ 1.045,00), apenas 605 servidores públicos arrancam dos bolsos daqueles trabalhadores brasileiros R$2.860.000.000,00 por ano. Seiscentos e cinco trabalhadores médios percebem, em comparação, no mesmo período, R$16.437.850,00. São dois bilhões, oitocentos e sessenta milhões de reais contra apenas dezesseis milhões e os quebrados já grafados.

 

Detentores dos vencimentos polpudos por ano (dados apreendidos do Programa de José Luís Datena, da Rede Bandeirantes, em 13.08.2020): 513 deputados (3,3 milhões por ano cada um), 81 senadores (7 milhões por ano cada um), 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (600 milhões, total dos ministros).

 

Se não aconteceu algum deslize de cálculo de nossa parte, a proporção é de 1 para 174. Ou seja, cada um dos 605 marajás custa para os cofres públicos o que custam 174 trabalhadores para a economia brasileira.

 

Francisco Nery Júnior




 



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