Feminicídio: “Também foi constatado situações de violação na região genital da vítima”, diz delegado após prisão de acusado

Por REDAÇÃO - PA4.COM.BR | 13 de janeiro de 2021 às 20:15

Delgados Paulo Marcos e Juliana Fontes e o investigador Djair. Foto: Kaká (PA4.COM.BR)



 

Cíntia Maria da Silva, 34 anos, faleceu de morte violenta por asfixia mecânica, ou seja, estrangulamento, e ainda foi vitima de ato libidinoso, suposto estupro, antes de ser morta pelo companheiro Carlos Antônio dos Santos. É o que aponta o relatório da Polícia Civil de Paulo Afonso reforçado pelas declarações dos delegados Paulo Carlos e Juliana Fontes numa entrevista concedida ao repórter Carlos Alexandre (Kaká), colaborador do portal pa4 e da rádio Angiquinho FM.

 

O acusado de feminicídio foi preso nesta quarta-feira, 13/01 após a Polícia Civil receber uma ligação anônima. A prisão foi efetuada por uma equipe da Delegacia Territorial sob o comando dos delegados Paulo Carlos e Juliana Fontes .

 

“Recebemos essa denúncia por telefone informando que o autor estava no BTN 2, numa determinada casa, então de imediato eu mais o doutor Paulo e a equipe de investigadores daqui da Polícia Civil nos dirigimos ao local e conseguimos encontrar o autor escondido atrás do guarda-roupa no interior da casa. Essa residência era de uma ex-mulher dele.”, informou Dra. Juliana.

 

O delegado Paulo Carlos deu alguns detalhes do crime informando que a perícia foi fundamental para elucidação do caso, inclusive cita que Cíntia pode ter sofrido um estupro antes de ser morta:

 

“Foi muito importante o trabalho pericial, o nosso médico legista, ao realizar a abertura do corpo constatou que as lesões encontradas no corpo da vítima eram incompatíveis com lesões decorrentes de suicídios, no caso de suicídio, geralmente fica uma lesão na parte inferior do pescoço mais aprofundada e essa lesão era incompatível com a que foi encontrada no pescoço da vítima, e tudo indica que tenha sido decorrente de estrangulamento realizado por parte dele, inclusive antecedido de um suposto estupro, que também foi constatado situações de violação na região genital da vítima.”

 

Delgados Paulo Marcos e Juliana Fontes, e o investigador Djair em entrevista ao repórter Kaká. Foto: PA4.COM.BR






O ato libidinoso também consta no histórico do crime enviado pela delegada Antônia Jane. Veja abaixo:

 

No dia 10 novembro 2020 pelas 21h, foi  encontrada morta a pessoa de CINTIA MARIA DA SILVA , fato corrido no Condomínio Beira Rio, localizado a Rua Rio Zaire, Bairro Moxotó -Ba, que de inicio o caso aparentava ser suicídio, entretanto após pericia medica legal,  foi constatado que o corpo apresentava lesões incompatíveis com suicídio e concluiu-se que a cena do crime totalmente descaracterizado, pois o marido de Cintia, C. A. DOS S, informou que havia cortado o lençol, que no transcorrer das investigações e com oitiva de testemunhas estas foram unânimes em afirmarem, que no momento em que Cintia foi encontrada a mesma estava no chão e não pendurada pela pescoço como a suposto autor, marido da vitima, informou, ademais o laudo de exame de necropsia em sua conclusão, afirma  que CINTIA MARIA DA SILVA, faleceu de morte violenta por asfixia mecânica ou seja estrangulamento, foi vitima de ato libidinoso. Que embora seja relatada por familiares de Cintia e testemunhas violências domesticas, físicas, morais sofridas por esta, tendo por autor C. A., em nenhum momento esta solicitou ajuda na Delegacia Especial em Atendimento a mulher, nenhuma ocorrência policial relatando estas violências, bem como inexistia medida protetiva em favor de Cintia.  Que a motivação do delito foi o excessivo ciúme demonstrado por A. C. com relação a CINTIA. Que foi deferida prisão temporária em desfavor do autor, sendo esta cumprida no doa de hoje, 13-01-2020. Que na data de 30-12-2020 0 Inquérito foi concluído e enviado ao MP, com pedido de indiciamento do autor por FEMINICIDIO, ESTUPRO E VIOLACAO DE LOCAL DE CRIME e conversão da prisão temporária em Preventiva. Que o êxito da diligência foi conseguido graças ao empenho da POLICIA CIVIL, POLICIA TECNICA DE PAULO AFONS-BA e suporte fornecido pela SSB-BA E DEPIN-BA.

 

 

Cíntia Maria. Foto: redes sociais

Paulo Carlos ainda disse que logo depois do crime, o acusado prestou depoimento na delegacia e que “queria reforçar cada vez mais a tese de que ela teria cometido o suicídio. Ele informou que ela tomava medicamentos antidepressivos e que já havia tentado contra a própria vida, que estava com problemas psicológicos.”

 

Antes de encerrar a entrevista, Juliana Fontes falou sobre a importância da colaboração da população em denunciar os criminosos: “É muito importante que a população denuncie mesmo, denúncia anônima, a gente tem o whatsapp aqui da delegacia que é o 99198-5594. Então que liguem, que denunciem que a polícia vai sim atuar, e agradecer a população porque trata-se de um crime bárbaro, um feminicídio, mais uma mulher morta na nossa cidade e é importante que a gente trabalhe contra a violência doméstica, o feminicídio já é o estágio final da violência.”

 

O acusado, a vítima e a cena do crime.
Foto divulgação/PC

 

 



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