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REDAÇÃO - PA4.COM.BR

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Evelyn Santana

Por Evelyn Santana

 

Não vou me atrever a falar sobre as teorias relacionadas ao tempo. Apenas fiz uso do trecho da composição de Cazuza para nos lembrar da impossibilidade de determos o passar do tempo. Pelo menos no que diz respeito ao lógico, tangível, ou não lúdico. Em contrapartida, apesar de afirmar dentro dos limites desse texto que o tempo não para, isso implica que podemos seguir seu curso também no que concerne a nossas lutas diárias.

 

A utilização do termo “nossas”, desta vez, não se associa às angústias pessoais que acometem todo e qualquer ser humano. Principalmente, tomando como base o momento singular pelo qual todos nós estamos passando, tendo ele com consciência ou não… É uma experiência coletiva.  Reconheço que a maioria de minhas falas e narrativas vem imbuídas pela realidade conheço, pela minha construção enquanto indivíduo:  a assistente social, pesquisadora, ativista, feminista, humana. Reconheço também que em virtude desse construto minhas reflexões  majoritariamente se pautam sob a ótica da análise da sociedade, das políticas públicas e sociais, do cotidiano e da viabilização dos direitos. Esse é um ponto recorrente e algo em que acredito.

 

Contudo, apesar de saber das responsabilidades do Estado para com a sociedade, me divido entre o que está posto enquanto direito e sobre a urgência daqueles que necessitam dessa efetivação. Sabemos que suprir as carências e as mazelas causadas pelo sistema é responsabilidade do sistema. Mas isso nos impede de incidir?  Não importa em qual localidade do nosso território você esteja lendo esse texto… Ao andar pelas ruas, olhar pela janela do carro, ou ouvir alguém batendo em sua porta… Verá a face mais dolorosa da desigualdade.

 

Estamos tão acostumados com essa realidade que ora ignoramos, ora culpamos os próprios indivíduos. Ou os desumanizamos. Ignorar essa realidade é menos doloroso do que olhar nos olhos daqueles que estão sofrendo pelos erros alheios. Aprendi cedo através de minha formação que benesse é o caminho avesso ao direito. Mas enquanto humana, busco não naturalizar essas cenas enquanto paisagem da cidade, enquanto algo natural, enquanto algo impossível de ser modificado ou sequer tocado. Sim, sou contra a desresponsabilização do Estado para com os desdobramentos da desigualdade. Entretanto, antes de tudo, sou uma humana que luta para não naturalizar essa desigualdade enquanto ponto findado.  É possível um equilíbrio entre a consciência e a urgência. E a urgência pede que arregacemos as mangas e passemos a olhar para o outro e agir pelo outro. Seja na esfera teórica ou na prática. Seja em ações pontuais, ou prolongadas. O que não podemos é nos trancafiarmos em bolhas de autopreservação e de comodidade apenas porque não é conosco.  Porque reside nisso também a questão: é conosco.

 

O tempo não para, leitor. Nós vamos parar?

 




 



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