20 de setembro de 2021

Do lilás ao roxo dos hematomas (Por Evelyn Santana)

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Redação (pa4.com.br)

 

O mês de agosto será marcado pela cor Lilás. Esta cor se apresenta enquanto resultado da idealização de uma campanha de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. A campanha em questão, se propõe a divulgar a Lei Maria da Penha sancionada em 7 de agosto de 2006 que faz aniversário exatamente no mesmo mês. Dessa forma, esse é um mês que suscita que a sociedade volte seu olhar de maneira mais aprofundada sobre a necessidade e urgência de se combater a violência contra a mulher, assim como as demais questões que se associam a essa problemática.

Em textos anteriores, havia falado acerca das múltiplas violências vivenciadas por mulheres no território brasileiro e da necessidade de ampliação deste diálogo. No cenário no qual estamos inseridos faz-se necessário que esse tópico seja discutido para além de meses específicos, como o mês de março e nesse caso… agosto. Vale a pena evidenciar que no ranking mundial de homicídios contra a mulher o Brasil se destaca como o quinto país com maior taxa de mortalidade de mulheres. Bem, acredito que esta não é uma colocação da qual devamos nos orgulhar. Esse triste local que ocupamos é reflexo da cultura introjetada em nossa sociedade e que vem sendo herdada de geração em geração. Nossa cultura é em sua essência estruturalmente e extremamente machista e esse fato pode ser observado em âmbitos que não somente digam respeito à violência no contexto doméstico. Para muitos a mulher ainda é vista sob uma ótica arcaica, subvertida e preconceituosa, muitas vezes como posse e concomitantemente como ser inferior ao homem. Podemos atribuir a essa conduta os altos índices de violências domésticas, feminicidios, dentre tantas outras violências e ausência de direitos e oportunidades que ora são imputados à mulher ou lhe são cerceados.

Todos os dias vemos casos midiáticos ou não de mulheres vítimas de violência doméstica, essas são as que conseguem denunciar, em outros casos… sabemos o que infelizmente ocorre. E, apesar das leis que existem e que supostamente deveriam proteger as vítimas, os números aumentam a cada dia que passa. Muito provavelmente pela facilidade com que os agressores conseguem sair impunes após pagar fiança e praticar novas “ações”. Deixo claro, que não invalido as legislações que têm por objetivo defender os direitos das mulheres. Sobretudo, por expressarem conquistas de movimentos sociais, feministas, e avanços em prol de uma causa salutar e fidedigna. O que questiono de fato é a eficácia dessas leis.

Apesar de caminharmos a passos lentos, estamos caminhando. E, antes de tudo, estamos resistindo. Aguardo pelo dia em que não seja necessário que campanhas sejam feitas em prol de nossa segurança e sobrevivência. Haja vista, o fato de que esses direitos já deveriam estar sob nossa posse. Permeamos entre o lilás que apela para consciência e o roxo que tem marcado tantas vidas. Entretanto, nossa luta, consciência e resistência, nos permitirá colorir um novo cenário, com novas cores. Parece-lhes sonho ou utopia? Desejo que não. Poderá ser um dia nossa realidade!

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