20 de setembro de 2021

Crônica – Simplesmente lealdade (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação (pa4.com.br)

 

Ele agora é um ancião de quase catorze anos. Completou treze em 26 de abril último. Dorme a maior parte do tempo. A trajetória de vida deve lhe passar pela mente. Ele sonha, pensa e relembra. Tem todo o tempo do mundo para pensar. Do nascimento ao sono atual, em etapas, os fatos da vida. O vencimento das doenças primeiras da juventude, a competição para sobreviver, a incompreensível luta contra os gatos; o filme vai passando.

Ele já foi jovem. O implacável passar do tempo o tornou velho. Ancião seria mais preciso. E mais polido. Mesmo em relação a Otta, não quero arriscar um processo judicial. Qual juiz me daria razão? Quem justificaria a ofensa?

Até quebrou uma pata. No seu ranzinza rancor contra os bichanos, quebrou. Esbarrou-se na perna de um banco do jardim e quebrou. Longe, de viagem, nada pude fazer. Na volta, já sem esperança de reversão, levei-o ao veterinário. Então um ancião, como o leitor já sabe, não foi recomendável uma cirurgia. Poderia, provavelmente poderia, de lá nunca mais levantar da mesa cirúrgica.

E assim meu amigo canino, amigo fiel de todas as horas, que infinitas vezes chega perto para me consolar, assim chega em andar manco. Se o leitor puder imaginar o jeito matreiro de ele chegar, perna sim e perna não, o leitor seguramente estará livre de qualquer sentimento de pena.

Ele é fiel? Evidente que é. E se alguma dúvida ainda persiste, logo estará dissipada com a contemplação da foto que ilustra a nossa crônica. Ele está ansiosamente estribado na janela, não importando o desconforto da sua perna quebrada, esperando a minha volta do trabalho. E assim ele procedia todos os dias quando a minha hora de voltar ia se aproximando.

E o que mais tudo me fez entender é a desnecessidade de ritos, artimanhas, exageros e artifícios na nossa relação com Deus. Mais do que tudo, quero crer, Ele anseia pelo nosso ardente desejo de recebê-lo no nosso coração.

Francisco Nery Júnior

P.S. Com a anuência do senhor redator, o prazer – e o reconhecimento – de dedicar esta crônica à memória do falecido Paulo Lopis que se fez meu amigo com a leitura das minhas crônicas.

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