Coffe Break
Por José Tenório dos Santos
tenoriosanto@hotmail.com
Tivemos a ilustre presen
Outro dia viajando, no som do carro tocava uma música orquestrada, meu filho ainda com apenas três anos disse: “Quem gosta de música que ninguém fala, é meu tio”. Seu tio é um advogado que gosta de ouvir música instrumental enquanto escreve em seu escritório. Conto isto apenas para ilustrar a capacidade de uma criança observar e absorver o que ouve e vê. Portanto temos apenas que criar espaços com a simplicidade e a importância de projetos como Mala do Poeta e Semanas Culturais, para que as pessoas se expressem. Prestar atenção aos quadros de Aníbal, ao espetáculo de Rubens Brasil, Bia Leite, sentir o sopro de Fabrício, ler e ouvir as mensagens dos poetas, Haten, rir com Bosco, rezar com padre Cícero, contar a real história de lampião. Quer criticar? Critique.
Vamos fazer o que a gente gosta, vamos viver. De qualquer forma o tempo dirá aos nossos descendentes quem somos. Tenho visto muita gente preocupada em determinar (não podemos rotular) a cultura de Paulo Afonso. Nossa cidade é uma jovem com apenas cinquenta e três anos. É uma cachoeira formada de afluentes culturais vindos de todos os estados brasileiros. Deixemos que os ventos juvenis façam ondas, vamos apenas movimentar os nossos geradores, evitando que culturas (como o pastoril) desemboquem no sumidouro, que com certeza a nossa energia artística iluminará nitidamente mostrando para o mundo qual é a cultura de Paulo Afonso.
Não tenho a autoridade de Ariano Suassuna para falar em cultura porque ele na grandeza dos seus oitenta e quatro anos dedica sua vida a escrever e defender a cultura brasileira, mas, sei que o que ele sabe verdadeiramente sobre cultura não aprendeu nos grandes colégios que frequentou, e sim, na infância vivida na cidade de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa na Paraíba, onde era chamado para tomar café ao invés de coffe break.





