7 de maio de 2026

Carlos Lantyer: Lampião e a Chacina das Queimadas

Por

LAMPIÃO E A CHACINA DE QUEIMADAS


 


Por Carlos Alberto Lantyer (calantyer@hotmail.com )


 


“Toda a documentação até hoje conhecida demonstra que os cangaceiros foram realmente cruéis e sanguinários, tanto com os ricos quanto com os pobres.” (Maria Isaura Pereira de Queiroz)


                    


                         Queimadas-BA é um município, cuja sede é localizada às margens direita do rio Itapicuru, próximo às cidades de Cansanção e Santa Luz, onde sempre foi um município muito pobre, seja pela falta de indústrias e empregos, seja pelas dificuldades do clima, onde predomina a seca nesta região semi-árida. Em 22 de dezembro de 1929, esta cidade foi assaltada pelo bando do bandido Virgulino Ferreira da Silva, vulgo lampião. Até este dia, os habitantes da cidade, jamais haviam visto um único cangaceiro na vida, pois o cangaço era um fenômeno que foi originado e acontecia no Estado de Pernambuco, porém, percebeu-se que Volantes Pernambucanas começaram a passar pela cidade  naquele mesmo ano de 1929. O fato é que as volantes pernambucanas trajavam uma vestimenta parecida com a dos cangaceiros e o fato irônico é que quando os cangaceiros entraram em Queimadas, foram confundidos com a Força Pernambucana.


               Lampião havia entrado na Bahia em 1928 e vinha recompondo o seu grupo e já havia cometido vários crimes em território baiano. Para os habitantes de Queimadas-BA, lampião era um nome distante. Sou filho de Queimadas-BA, onde desde criançinha ouço as histórias sobre o assalto do bandido lampião na cidade. Foi uma pesquisa de campo natural e espontânea, onde ouvi pessoas que presenciaram e testemunharam aquele crime que ficou conhecido como “A chacina de Queimadas”.


       Escritores de fato, como Oleone Coelho Fontes, Nonato Marques e Antonio Lantyer, escreveram sobre o crime acontecido em 1929, sendo que Nonato Marques e Antonio Lantyer estavam na cidade quando o crime aconteceu. Então o trabalho histórico sobre o fato foi escrito com muita seriedade e veracidade. Vale salientar que recentemente os pauloafonsinos Haroldo Magno e Edvan Bezerra retrataram este crime cometido pelos cangaceiros, em sua excelente revista: “Lampião em quadrinhos.”


            No início da manhã do dia 22 de dezembro de 1929, eis que lampião surge na casa de José Lúcio da Silva, na fazenda Parelha, próximo a cidade de Cansanção-BA. Os cangaceiros estavam montados e José Lúcio encontrava-se no chiqueiro dando trato nos animais. Lampião chegou frente a frente com José Lúcio, e perguntou:


  “Vosmicê sabe com quem está falando?


  “Sei sim senhor. É com lampião. Tenho seu retrato aqui em minha casa”.


      Lampião estava aparentemente calmo e solicitou cavalos. José Lúcio declarou não os possuir no momento, vez que o emprestara ao compadre Nonato Marques, de Queimadas, sendo José Lúcio intimado para acompanhar os cangaceiros até a cidade de Cansanção.


    Antes de assaltar a cidade, os cangaceiros pararam no oitão de uma casa e mandaram avisar aos moradores que fugissem, do contrário seriam mortos. Estava aquartelado na cidade um sargento de polícia de nome Otaviano, com 2 contratados. Todavia quando souberam que lampião gritara a todo pulmão que mataria os que não fugissem, o sargento e os contratados caíram fora. Se não fugissem seriam mortos, em virtude do menor número, sendo 3 contra 18.


     Por vota das 7 horas da manhã, os cangaceiros invadiram Cansanção, onde assaltaram casas comerciais, arrombando-as a coronhadas de fuzil, golpes de cabo de punhal que fazia as vezes de pé-de-cabra, pontapés, à força dos ombros. Retiraram os perfumes que foram encontrando, peças de tecido e bugigangas das prateleiras, objetos que foram distribuídos entre os que assistiam ao saque e não se tinha retirado. Arrecadaram todo o dinheiro que puderam. Agrediram e fizeram os moradores que encontraram a caminho passar por maus bocados, maltratando com a ponta do punhal.   O único barbeiro da cidade, Antonio Primo fez a barba dos cangaceiros e do chefe. Os perfumes foram reduzidos a zero, onde os cangaceiros abriam os frascos derramando de forma extravagante no próprio corpo e na crina e rabo dos animais. O conhaque Macieira 5 estrelas, teve seu estoque esgotado, pois era o preferido pelos cangaceiros.


         Beberam a não mais suportar, obrigando os que estavam por perto a beberem também. Em seguida, lampião tomou posse de um caminhão marca Chevrolet, pertencente ao IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra Seca), hoje DNOCS, onde ordenou para os cangaceiros subirem na carroceria e mandou o carro tocar para Queimadas. Os animais, deveriam seguir os rastros do caminhão, conduzidos por um cidadão convocado por lampião. De Cansanção para Queimadas, são 42 Km de distância, não havendo em Cansanção, qualquer forma de comunicação telegráfica ou telefônica.


      No caminhão seguiam 18 cangaceiros: lampião, volta-seca, Luís Pedro, Antonio de Engrácia, Mariano, Mourão, Azulão, Ângelo Roque(labareda)��������ùœ�� ��

LAMPIÃO E A CHACINA DE QUEIMADAS


 


Por Carlos Alberto Lantyer (calantyer@hotmail.com )


 


“Toda a documentação até hoje conhecida demonstra que os cangaceiros foram realmente cruéis e sanguinários, tanto com os ricos quanto com os pobres.” (Maria Isaura Pereira de Queiroz)


                    


                         Queimadas-BA é um município, cuja sede é localizada às margens direita do rio Itapicuru, próximo às cidades de Cansanção e Santa Luz, onde sempre foi um município muito pobre, seja pela falta de indústrias e empregos, seja pelas dificuldades do clima, onde predomina a seca nesta região semi-árida. Em 22 de dezembro de 1929, esta cidade foi assaltada pelo bando do bandido Virgulino Ferreira da Silva, vulgo lampião. Até este dia, os habitantes da cidade, jamais haviam visto um único cangaceiro na vida, pois o cangaço era um fenômeno que foi originado e acontecia no Estado de Pernambuco, porém, percebeu-se que Volantes Pernambucanas começaram a passar pela cidade  naquele mesmo ano de 1929. O fato é que as volantes pernambucanas trajavam uma vestimenta parecida com a dos cangaceiros e o fato irônico é que quando os cangaceiros entraram em Queimadas, foram confundidos com a Força Pernambucana.


               Lampião havia entrado na Bahia em 1928 e vinha recompondo o seu grupo e já havia cometido vários crimes em território baiano. Para os habitantes de Queimadas-BA, lampião era um nome distante. Sou filho de Queimadas-BA, onde desde criançinha ouço as histórias sobre o assalto do bandido lampião na cidade. Foi uma pesquisa de campo natural e espontânea, onde ouvi pessoas que presenciaram e testemunharam aquele crime que ficou conhecido como “A chacina de Queimadas”.


       Escritores de fato, como Oleone Coelho Fontes, Nonato Marques e Antonio Lantyer, escreveram sobre o crime acontecido em 1929, sendo que Nonato Marques e Antonio Lantyer estavam na cidade quando o crime aconteceu. Então o trabalho histórico sobre o fato foi escrito com muita seriedade e veracidade. Vale salientar que recentemente os pauloafonsinos Haroldo Magno e Edvan Bezerra retrataram este crime cometido pelos cangaceiros, em sua excelente revista: “Lampião em quadrinhos.”


            No início da manhã do dia 22 de dezembro de 1929, eis que lampião surge na casa de José Lúcio da Silva, na fazenda Parelha, próximo a cidade de Cansanção-BA. Os cangaceiros estavam montados e José Lúcio encontrava-se no chiqueiro dando trato nos animais. Lampião chegou frente a frente com José Lúcio, e perguntou:


  “Vosmicê sabe com quem está falando?


  “Sei sim senhor. É com lampião. Tenho seu retrato aqui em minha casa”.


      Lampião estava aparentemente calmo e solicitou cavalos. José Lúcio declarou não os possuir no momento, vez que o emprestara ao compadre Nonato Marques, de Queimadas, sendo José Lúcio intimado para acompanhar os cangaceiros até a cidade de Cansanção.


    Antes de assaltar a cidade, os cangaceiros pararam no oitão de uma casa e mandaram avisar aos moradores que fugissem, do contrário seriam mortos. Estava aquartelado na cidade um sargento de polícia de nome Otaviano, com 2 contratados. Todavia quando souberam que lampião gritara a todo pulmão que mataria os que não fugissem, o sargento e os contratados caíram fora. Se não fugissem seriam mortos, em virtude do menor número, sendo 3 contra 18.


     Por vota das 7 horas da manhã, os cangaceiros invadiram Cansanção, onde assaltaram casas comerciais, arrombando-as a coronhadas de fuzil, golpes de cabo de punhal que fazia as vezes de pé-de-cabra, pontapés, à força dos ombros. Retiraram os perfumes que foram encontrando, peças de tecido e bugigangas das prateleiras, objetos que foram distribuídos entre os que assistiam ao saque e não se tinha retirado. Arrecadaram todo o dinheiro que puderam. Agrediram e fizeram os moradores que encontraram a caminho passar por maus bocados, maltratando com a ponta do punhal.   O único barbeiro da cidade, Antonio Primo fez a barba dos cangaceiros e do chefe. Os perfumes foram reduzidos a zero, onde os cangaceiros abriam os frascos derramando de forma extravagante no próprio corpo e na crina e rabo dos animais. O conhaque Macieira 5 estrelas, teve seu estoque esgotado, pois era o preferido pelos cangaceiros.


         Beberam a não mais suportar, obrigando os que estavam por perto a beberem também. Em seguida, lampião tomou posse de um caminhão marca Chevrolet, pertencente ao IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra Seca), hoje DNOCS, onde ordenou para os cangaceiros subirem na carroceria e mandou o carro tocar para Queimadas. Os animais, deveriam seguir os rastros do caminhão, conduzidos por um cidadão convocado por lampião. De Cansanção para Queimadas, são 42 Km de distância, não havendo em Cansanção, qualquer forma de comunicação telegráfica ou telefônica.


      No caminhão seguiam 18 cangaceiros: lampião, volta-seca, Luís Pedro, Antonio de Engrácia, Mariano, Mourão, Azulão, Ângelo Roque(labareda)��������ùœ�� ��

LAMPIÃO E A CHACINA DE QUEIMADAS


 


Por Carlos Alberto Lantyer (calantyer@hotmail.com )


 


“Toda a documentação até hoje conhecida demonstra que os cangaceiros foram realmente cruéis e sanguinários, tanto com os ricos quanto com os pobres.” (Maria Isaura Pereira de Queiroz)


                    


                         Queimadas-BA é um município, cuja sede é localizada às margens direita do rio Itapicuru, próximo às cidades de Cansanção e Santa Luz, onde sempre foi um município muito pobre, seja pela falta de indústrias e empregos, seja pelas dificuldades do clima, onde predomina a seca nesta região semi-árida. Em 22 de dezembro de 1929, esta cidade foi assaltada pelo bando do bandido Virgulino Ferreira da Silva, vulgo lampião. Até este dia, os habitantes da cidade, jamais haviam visto um único cangaceiro na vida, pois o cangaço era um fenômeno que foi originado e acontecia no Estado de Pernambuco, porém, percebeu-se que Volantes Pernambucanas começaram a passar pela cidade  naquele mesmo ano de 1929. O fato é que as volantes pernambucanas trajavam uma vestimenta parecida com a dos cangaceiros e o fato irônico é que quando os cangaceiros entraram em Queimadas, foram confundidos com a Força Pernambucana.


               Lampião havia entrado na Bahia em 1928 e vinha recompondo o seu grupo e já havia cometido vários crimes em território baiano. Para os habitantes de Queimadas-BA, lampião era um nome distante. Sou filho de Queimadas-BA, onde desde criançinha ouço as histórias sobre o assalto do bandido lampião na cidade. Foi uma pesquisa de campo natural e espontânea, onde ouvi pessoas que presenciaram e testemunharam aquele crime que ficou conhecido como “A chacina de Queimadas”.


       Escritores de fato, como Oleone Coelho Fontes, Nonato Marques e Antonio Lantyer, escreveram sobre o crime acontecido em 1929, sendo que Nonato Marques e Antonio Lantyer estavam na cidade quando o crime aconteceu. Então o trabalho histórico sobre o fato foi escrito com muita seriedade e veracidade. Vale salientar que recentemente os pauloafonsinos Haroldo Magno e Edvan Bezerra retrataram este crime cometido pelos cangaceiros, em sua excelente revista: “Lampião em quadrinhos.”


            No início da manhã do dia 22 de dezembro de 1929, eis que lampião surge na casa de José Lúcio da Silva, na fazenda Parelha, próximo a cidade de Cansanção-BA. Os cangaceiros estavam montados e José Lúcio encontrava-se no chiqueiro dando trato nos animais. Lampião chegou frente a frente com José Lúcio, e perguntou:


  “Vosmicê sabe com quem está falando?


  “Sei sim senhor. É com lampião. Tenho seu retrato aqui em minha casa”.


      Lampião estava aparentemente calmo e solicitou cavalos. José Lúcio declarou não os possuir no momento, vez que o emprestara ao compadre Nonato Marques, de Queimadas, sendo José Lúcio intimado para acompanhar os cangaceiros até a cidade de Cansanção.


    Antes de assaltar a cidade, os cangaceiros pararam no oitão de uma casa e mandaram avisar aos moradores que fugissem, do contrário seriam mortos. Estava aquartelado na cidade um sargento de polícia de nome Otaviano, com 2 contratados. Todavia quando souberam que lampião gritara a todo pulmão que mataria os que não fugissem, o sargento e os contratados caíram fora. Se não fugissem seriam mortos, em virtude do menor número, sendo 3 contra 18.


     Por vota das 7 horas da manhã, os cangaceiros invadiram Cansanção, onde assaltaram casas comerciais, arrombando-as a coronhadas de fuzil, golpes de cabo de punhal que fazia as vezes de pé-de-cabra, pontapés, à força dos ombros. Retiraram os perfumes que foram encontrando, peças de tecido e bugigangas das prateleiras, objetos que foram distribuídos entre os que assistiam ao saque e não se tinha retirado. Arrecadaram todo o dinheiro que puderam. Agrediram e fizeram os moradores que encontraram a caminho passar por maus bocados, maltratando com a ponta do punhal.   O único barbeiro da cidade, Antonio Primo fez a barba dos cangaceiros e do chefe. Os perfumes foram reduzidos a zero, onde os cangaceiros abriam os frascos derramando de forma extravagante no próprio corpo e na crina e rabo dos animais. O conhaque Macieira 5 estrelas, teve seu estoque esgotado, pois era o preferido pelos cangaceiros.


         Beberam a não mais suportar, obrigando os que estavam por perto a beberem também. Em seguida, lampião tomou posse de um caminhão marca Chevrolet, pertencente ao IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra Seca), hoje DNOCS, onde ordenou para os cangaceiros subirem na carroceria e mandou o carro tocar para Queimadas. Os animais, deveriam seguir os rastros do caminhão, conduzidos por um cidadão convocado por lampião. De Cansanção para Queimadas, são 42 Km de distância, não havendo em Cansanção, qualquer forma de comunicação telegráfica ou telefônica.


      No caminhão seguiam 18 cangaceiros: lampião, volta-seca, Luís Pedro, Antonio de Engrácia, Mariano, Mourão, Azulão, Ângelo Roque(labareda)��������ùœ�� ��

LAMPIÃO E A CHACINA DE QUEIMADAS


 


Por Carlos Alberto Lantyer (calantyer@hotmail.com )


 


“Toda a documentação até hoje conhecida demonstra que os cangaceiros foram realmente cruéis e sanguinários, tanto com os ricos quanto com os pobres.” (Maria Isaura Pereira de Queiroz)


                    


                         Queimadas-BA é um município, cuja sede é localizada às margens direita do rio Itapicuru, próximo às cidades de Cansanção e Santa Luz, onde sempre foi um município muito pobre, seja pela falta de indústrias e empregos, seja pelas dificuldades do clima, onde predomina a seca nesta região semi-árida. Em 22 de dezembro de 1929, esta cidade foi assaltada pelo bando do bandido Virgulino Ferreira da Silva, vulgo lampião. Até este dia, os habitantes da cidade, jamais haviam visto um único cangaceiro na vida, pois o cangaço era um fenômeno que foi originado e acontecia no Estado de Pernambuco, porém, percebeu-se que Volantes Pernambucanas começaram a passar pela cidade  naquele mesmo ano de 1929. O fato é que as volantes pernambucanas trajavam uma vestimenta parecida com a dos cangaceiros e o fato irônico é que quando os cangaceiros entraram em Queimadas, foram confundidos com a Força Pernambucana.


               Lampião havia entrado na Bahia em 1928 e vinha recompondo o seu grupo e já havia cometido vários crimes em território baiano. Para os habitantes de Queimadas-BA, lampião era um nome distante. Sou filho de Queimadas-BA, onde desde criançinha ouço as histórias sobre o assalto do bandido lampião na cidade. Foi uma pesquisa de campo natural e espontânea, onde ouvi pessoas que presenciaram e testemunharam aquele crime que ficou conhecido como “A chacina de Queimadas”.


       Escritores de fato, como Oleone Coelho Fontes, Nonato Marques e Antonio Lantyer, escreveram sobre o crime acontecido em 1929, sendo que Nonato Marques e Antonio Lantyer estavam na cidade quando o crime aconteceu. Então o trabalho histórico sobre o fato foi escrito com muita seriedade e veracidade. Vale salientar que recentemente os pauloafonsinos Haroldo Magno e Edvan Bezerra retrataram este crime cometido pelos cangaceiros, em sua excelente revista: “Lampião em quadrinhos.”


            No início da manhã do dia 22 de dezembro de 1929, eis que lampião surge na casa de José Lúcio da Silva, na fazenda Parelha, próximo a cidade de Cansanção-BA. Os cangaceiros estavam montados e José Lúcio encontrava-se no chiqueiro dando trato nos animais. Lampião chegou frente a frente com José Lúcio, e perguntou:


  “Vosmicê sabe com quem está falando?


  “Sei sim senhor. É com lampião. Tenho seu retrato aqui em minha casa”.


      Lampião estava aparentemente calmo e solicitou cavalos. José Lúcio declarou não os possuir no momento, vez que o emprestara ao compadre Nonato Marques, de Queimadas, sendo José Lúcio intimado para acompanhar os cangaceiros até a cidade de Cansanção.


    Antes de assaltar a cidade, os cangaceiros pararam no oitão de uma casa e mandaram avisar aos moradores que fugissem, do contrário seriam mortos. Estava aquartelado na cidade um sargento de polícia de nome Otaviano, com 2 contratados. Todavia quando souberam que lampião gritara a todo pulmão que mataria os que não fugissem, o sargento e os contratados caíram fora. Se não fugissem seriam mortos, em virtude do menor número, sendo 3 contra 18.


     Por vota das 7 horas da manhã, os cangaceiros invadiram Cansanção, onde assaltaram casas comerciais, arrombando-as a coronhadas de fuzil, golpes de cabo de punhal que fazia as vezes de pé-de-cabra, pontapés, à força dos ombros. Retiraram os perfumes que foram encontrando, peças de tecido e bugigangas das prateleiras, objetos que foram distribuídos entre os que assistiam ao saque e não se tinha retirado. Arrecadaram todo o dinheiro que puderam. Agrediram e fizeram os moradores que encontraram a caminho passar por maus bocados, maltratando com a ponta do punhal.   O único barbeiro da cidade, Antonio Primo fez a barba dos cangaceiros e do chefe. Os perfumes foram reduzidos a zero, onde os cangaceiros abriam os frascos derramando de forma extravagante no próprio corpo e na crina e rabo dos animais. O conhaque Macieira 5 estrelas, teve seu estoque esgotado, pois era o preferido pelos cangaceiros.


         Beberam a não mais suportar, obrigando os que estavam por perto a beberem também. Em seguida, lampião tomou posse de um caminhão marca Chevrolet, pertencente ao IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra Seca), hoje DNOCS, onde ordenou para os cangaceiros subirem na carroceria e mandou o carro tocar para Queimadas. Os animais, deveriam seguir os rastros do caminhão, conduzidos por um cidadão convocado por lampião. De Cansanção para Queimadas, são 42 Km de distância, não havendo em Cansanção, qualquer forma de comunicação telegráfica ou telefônica.


      No caminhão seguiam 18 cangaceiros: lampião, volta-seca, Luís Pedro, Antonio de Engrácia, Mariano, Mourão, Azulão, Ângelo Roque(labareda)��������ùœ�� ��

LAMPIÃO E A CHACINA DE QUEIMADAS


 


Por Carlos Alberto Lantyer (calantyer@hotmail.com )


 


“Toda a documentação até hoje conhecida demonstra que os cangaceiros foram realmente cruéis e sanguinários, tanto com os ricos quanto com os pobres.” (Maria Isaura Pereira de Queiroz)


                    


                         Queimadas-BA é um município, cuja sede é localizada às margens direita do rio Itapicuru, próximo às cidades de Cansanção e Santa Luz, onde sempre foi um município muito pobre, seja pela falta de indústrias e empregos, seja pelas dificuldades do clima, onde predomina a seca nesta região semi-árida. Em 22 de dezembro de 1929, esta cidade foi assaltada pelo bando do bandido Virgulino Ferreira da Silva, vulgo lampião. Até este dia, os habitantes da cidade, jamais haviam visto um único cangaceiro na vida, pois o cangaço era um fenômeno que foi originado e acontecia no Estado de Pernambuco, porém, percebeu-se que Volantes Pernambucanas começaram a passar pela cidade  naquele mesmo ano de 1929. O fato é que as volantes pernambucanas trajavam uma vestimenta parecida com a dos cangaceiros e o fato irônico é que quando os cangaceiros entraram em Queimadas, foram confundidos com a Força Pernambucana.


               Lampião havia entrado na Bahia em 1928 e vinha recompondo o seu grupo e já havia cometido vários crimes em território baiano. Para os habitantes de Queimadas-BA, lampião era um nome distante. Sou filho de Queimadas-BA, onde desde criançinha ouço as histórias sobre o assalto do bandido lampião na cidade. Foi uma pesquisa de campo natural e espontânea, onde ouvi pessoas que presenciaram e testemunharam aquele crime que ficou conhecido como “A chacina de Queimadas”.


       Escritores de fato, como Oleone Coelho Fontes, Nonato Marques e Antonio Lantyer, escreveram sobre o crime acontecido em 1929, sendo que Nonato Marques e Antonio Lantyer estavam na cidade quando o crime aconteceu. Então o trabalho histórico sobre o fato foi escrito com muita seriedade e veracidade. Vale salientar que recentemente os pauloafonsinos Haroldo Magno e Edvan Bezerra retrataram este crime cometido pelos cangaceiros, em sua excelente revista: “Lampião em quadrinhos.”


            No início da manhã do dia 22 de dezembro de 1929, eis que lampião surge na casa de José Lúcio da Silva, na fazenda Parelha, próximo a cidade de Cansanção-BA. Os cangaceiros estavam montados e José Lúcio encontrava-se no chiqueiro dando trato nos animais. Lampião chegou frente a frente com José Lúcio, e perguntou:


  “Vosmicê sabe com quem está falando?


  “Sei sim senhor. É com lampião. Tenho seu retrato aqui em minha casa”.


      Lampião estava aparentemente calmo e solicitou cavalos. José Lúcio declarou não os possuir no momento, vez que o emprestara ao compadre Nonato Marques, de Queimadas, sendo José Lúcio intimado para acompanhar os cangaceiros até a cidade de Cansanção.


    Antes de assaltar a cidade, os cangaceiros pararam no oitão de uma casa e mandaram avisar aos moradores que fugissem, do contrário seriam mortos. Estava aquartelado na cidade um sargento de polícia de nome Otaviano, com 2 contratados. Todavia quando souberam que lampião gritara a todo pulmão que mataria os que não fugissem, o sargento e os contratados caíram fora. Se não fugissem seriam mortos, em virtude do menor número, sendo 3 contra 18.


     Por vota das 7 horas da manhã, os cangaceiros invadiram Cansanção, onde assaltaram casas comerciais, arrombando-as a coronhadas de fuzil, golpes de cabo de punhal que fazia as vezes de pé-de-cabra, pontapés, à força dos ombros. Retiraram os perfumes que foram encontrando, peças de tecido e bugigangas das prateleiras, objetos que foram distribuídos entre os que assistiam ao saque e não se tinha retirado. Arrecadaram todo o dinheiro que puderam. Agrediram e fizeram os moradores que encontraram a caminho passar por maus bocados, maltratando com a ponta do punhal.   O único barbeiro da cidade, Antonio Primo fez a barba dos cangaceiros e do chefe. Os perfumes foram reduzidos a zero, onde os cangaceiros abriam os frascos derramando de forma extravagante no próprio corpo e na crina e rabo dos animais. O conhaque Macieira 5 estrelas, teve seu estoque esgotado, pois era o preferido pelos cangaceiros.


  

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