Por João Clareno Medalha
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Virou hábito em Paulo Afonso chamar tudo quanto é acidente de FATALIDADE. É preciso esclarecer algumas coisas. Quando as pessoas usam a palavra fatalidade esquecem ou não têm consciência que um de seus principais significados é DESTINO INEVITÁVEL, algo que não podia deixar de acontecer. Muitos dos acidentes ocorridos na cidade podiam ser evitados.
A maior parte de nós não percebe que tem responsabilidade diante de alguns acontecimentos. Vai ficar cada dia mais difícil viver nesta cidade se a gente não parar e avaliar nossas posturas diárias. Muitos estão acostumados com um comportamento sem reflexão sobre os próprios atos e condutas. Por isso é bem mais cômodo se agarrar à idéia cretina de que certas ocorrências cotidianas não dependem de nós, são produtos do acaso.
Há uma constância de mortes, acidentes e desmandos jamais vista ocorrendo nesta cidade. Não estou criando alarde e convocando a população a pensar, porque sabemos que pensar, se não é a coisa mais rara, está caminhando para isso. Honestamente, não espero que uma multidão de gente passe a voltar seus olhos para seu comportamento e que faça uma revolução de costumes a favor de uma convivência menos prejudicial para o bem das relações neste município.
Mas espero que os que ainda têm bom-senso, aqueles que se dizem pais zelosos, autoridades constituídas, e cabeças esclarecidas, comecem a sair do discurso e fazer sua parte. Uma parte séria e comprometida. Algo que começa antes pela certeza de que quem reclama colabora na mudança. E não apenas aponta o que não funciona. E, por favor, chega de culpar somente a administração pública.
Paulo Afonso mudou. Exige replanejamento estratégico, maturidade política e gente decente. Gente que perceba a urgência de ações conjuntas e não apenas paliativas e vaidosas. Todos sabem que os jogos politiqueiros ainda estão em toda parte. No entanto, nossa cidade merece bem mais que isso. Chega de enxergar nosso município como um pavão. A cidade não pode ser apenas bela, precisa ser eficiente.
Que se levantem de suas poltronas os que ainda têm responsabilidade e que só observam a banda passar. A gente precisa de pais, estudantes, gestores, mestres, empresários, artistas, juristas e empreendedores que não apenas critiquem e se choquem com o que a nossa cidade está se tornando. A idéia equivocada e difundida de que somos o OÁSIS DO SERTÃO já não existe mais. Estamos a caminho de outro título: A CONFUSÃO GENERALIZADA DO SERTÃO.





