A política é, realmente, algo muito intrigante e, muitas vezes, é capaz de nos causar ojeriza e repugnância.
Nesse contexto, é comum as pessoas acreditarem no discurso daqueles que se disponibilizam a ocupar cargos públicos eletivos e, na maioria das vezes, darem com “os burros n’água”. Essa é uma expressão do tempo dos meus bisavós, mas transmite muito bem a decepção dos que vêem seu ideario trocado por um jogo político mesquinho, politiqueiro, que visa apenas a continuidade do poder, passando por cima dos princípios e dos cidadãos que lutam por seus legítimos direitos.
Faz-se necessário diferenciar “populismo” da política verdadeira, que deve nortear a ascensão popular em torno dos direitos e da dignidade dos cidadãos. O populismo é, simplesmente, a presença da política “clientelista”, política do “apadrinhamento” que visa diminuir os cidadãos para que continuem sempre à mercê do poder dominante e satisfaçam-se apenas com as migalhas, com as sobras.
Na política verdadeira, norteada pela democracia, no sentido mais amplo do termo, deve-se manter as portas de acesso aos meios sempre abertas à população, indiscriminadamente, sem deixar brechas para a mentira e para a corrupção – essa última a grande vilã da política brasileira, principalmente, nos rincões do sertão.
No entanto, há algo preponderante para a existência do “populismo” maléfico à democracia: a ignorância política de grande parte da população, que acaba por abrir espaços aos políticos que buscam satisfazer seus interesses particulares, privando tantas famílias carentes, que necessitam do mínimo para sobreviver, de benefícios coletivos imprescindíveis para que tenhamos uma sociedade igualitária que consiga “saborear” o bem-estar e a dignidade que todos vivem buscando.
Precisamos apostar na consciência dos cidadãos, de modo que percebam que não vale a pena trocar a liberdade individual por um bem-estar passageiro, quando a maioria das pessoas sofre com essa atitude. E, graças a Deus, já há reações nesse sentido nos meios populares e, sem dúvida, aqueles que vivem a apostar no “populismo” barato serão derrotados. Pois, só assim, deixarão de subestimar a capacidade de pensar e de raciocinar das pessoas, mesmo com todas as gritantes necessidades que os atingem.
Generino Gabriel de Jesus (Professor e Poeta Rodelense, leciona na rede estadual há 18 anos. Foi Vereador e, atualmente, é Vice-Prefeito de Rodelas).




