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Em plena era da TV Digital, há anos implantada e ainda em fase de teste, ainda se discute (e com razão) a qualidade da programação da TV aberta no Brasil. As “bizarras” estratégias desenvolvidas para segurar a clientela na frente da telinha, numa disputa acirrada por audiência, fazem com que algumas emissoras “empurrem” no ar uma programação generalizada, totalmente voltada para o consumismo, paradigma de comportamento de uma sociedade alienada (?), alheia à cultura, ao conhecimento e entendimento dos fatos.


Na história da televisão brasileira, um capítulo à parte vem se destacando pelo seu apelativo padrão de interatividade. Difusores da prática do voyeurismo coletivo, os Reality Shows invadem o espaço da programação diária da TV, proporcionando certo entretenimento, influindo no comportamento das pessoas. O poder persuasivo desses interativos caça-audiência vai além da mera aceitação pública (Não é raro um caso de desentendimento entre amigos ou familiares, em casa, durante cada edição desses programas).


E “pra não dizer que não falei das flores,” ainda tem o lado cômico. Citando como exemplo o Big Brother Brasil – versão tupiniquim do programa exibido na Inglaterra – como não lembrar aqueles segundos mágicos de uma “embromation” impecável da filantrópica We Are The World, flagrada na voz da “Sol”, na quarta edição do programa?  O mega hit “Iasniuô” virou mania nacional, ganhando até uma versão funk carioca (Pasmem!), o que rendeu à intérprete além de (má) fama, inusitadas aparições em programas da Rede Globo como: Fantástico; Domingão do Faustão; Casseta & Planeta; Zorra Total (que não hesitaram, claro, em expor ainda mais ao ridículo, o patético novo astro da geração New Donkey).


A brincadeira que deu certo traspassou as paredes do Projac e foi dar na casa do empresário Augusto Liberato, na época, ainda do SBT. Concorrente da emissora, eterno caroneiro e sensacionalista nato, o apresentador do Domingo Legal não pensou duas vezes. Foi no fundo do baú e resgatou das traças o videoclipe USA For Africa (Que inspirou a idéia), exibido na década de 80, há muito já esquecido do público. Deu-se no meio uma exagerada profusão da idéia, o que rendeu uma boa cifra para as emissoras.


Mais adiante presenciamos o lado “trágico” do programa com a desastrosa atuação do azarado Cowboy (Alberto Simpatia), que quase foi linchado em rede nacional após ser eliminado do programa, por pertencer ao núcleo malvado dos confinados e por ser contrário ao famoso triângulo amoroso liderado por Diego Alemão, vencedor da 7ª edição do programa (Que caiu nas graças da “conservadora” sociedade brasileira, totalmente contrária a esses cowboys perversos e sanguinários, que atacam o mocinho e ameaçam as nossas pobres donzelas).


No mais, entre bundas e intrigas, bad boys, lésbicas e travestis (nada contra), regados a muita física quântica por debaixo dos edredons, os realities seguem líder de audiência. Em sua décima primeira edição, eterno enquanto dura, o BBB de Bial continua fazendo a cabeça dos telespectadores mais compulsivos que, habituados ao sedentarismo e extremamente ocupados com o consumismo, não estão nem aí para a qualidade da programação que assistem na TV.


A ociosidade do público voyeur, associado à hipocrisia de alguns participantes (com suas atuações dignas de novela mexicana), são a base desses interativos caça-audiência, destinados ao público mais ocioso. Tão instrutivos quanto os saudosos concursos da Nova Loira do Tchan! No paredão, do lado de fora, a paciência dos que aguardam ansiosos por noticiário, filme, José Eugênio Soares ou um Pica-Pau qualquer que justifique um precioso minuto desperdiçado em frente ao aparelho de televisão. “Um brinde aos profissionais do entretenimento!” A sociedade, ociosa agradece.                                                                                                  


                                                                                                                                                 Márcio J Dias

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