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Quando escrevi meu último artigo, alertando minha querida Paulo Afonso sobre a escassez de emprego e futuro para os jovens conterrâneos, confesso que fiquei surpreso com a repercussão daquelas palavras. Diversos comentários, feitos por vários amigos e por pessoas que, em meu texto, encontraram alguma consonância com suas vidas, alertaram-me para uma realidade um tanto desconhecida, mas não menos gritante: muitos colegas têm vontade imensa de retornar à Paulo Afonso, mas esbarram na ausência de estabilidade.


 


É para esses indivíduos que canalizo as palavras de agora. Respondendo a diversas mensagens de e-mail que recebi: é claro que voltarei à Paulo Afonso. Cada vez que a vejo mal cuidada, solapada por indivíduos que se intitularam baluartes da política, sinto que muito posso fazer por meu lugar. Aliás, nós, caros leitores, e apenas nós temos nas mãos o poder de imperar sobre nosso futuro.


 


Lembro-me, com uma nostalgia peculiar, do último dia passado em Paulo Afonso. Um sábado doce de dezembro, com as caraibeiras despejando sobre o asfalto ríspido suas últimas folhagens. Meu velho pai passava esse dia túrgido comigo, e contava sobre suas peripécias de juventude. Comentava o quanto ele e sua turma esperavam da vida citadina dos idos de 1980 e quantos sonhos pairavam sobre suas cabeças. Muitos dos quais irrealizáveis, mas não menos desejados por aquelas criaturas. Retorno, pois, a minha geração e percebo que muitos dos sonhos de outrora também fulguram sobre nossa jovem mente dos anos 2000. E o inevitável receio de que os erros do ontem pululem e retornem no agora afligi meus pensamentos e reflete-se em meus dedos. Os deles, ocorridos por singela inocência; os meus e de minha turma, a guisa de falta de coragem.


 


Um velho sabiá sempre retorna ao seu lugar de origem, pois sabe que é no seu recanto que repousam tranqüilidade e esperança. Em Paulo Afonso diversos colegas, meus e de minha família, há muito deixaram nas entrelinhas o espírito de ave cidadã, para se deleitarem na forma de falcão aventureiro. A capital da energia diariamente envia para outras cidades diversos talentos, filhos de seus saudosos cassacos, justamente pela ausência de emprego e futuro digno para seus habitantes. Não obstante, vários forasteiros pairam periodicamente em nossas cachoeiras, e conseguem desenvolver um futuro promissor.


 


 O passo primordial para o desenvolvimento – de uma nação, uma cidade, uma gente – é acreditar no empreendedor que existe em cada cidadão daquele lugar. Quem nos governa, porém, prefere acreditar na falácia de um desconhecido, em detrimento do dinamismo e da competência de um bom caboclo pauloafonsino. Quando o erro está no cerne de um regime não adianta mudar para a fronteira seguinte, ou apenas cobrir os olhos e imaginar que tudo não passa de uma maré ruim. Iemanjá ajuda a todos, mas é necessário coragem, persistência e determinação para mudar a realidade a nosso favor.


 


Que Paulo Afonso não se torne apenas mais uma fotografia na parede dos diversos itabiranos sertanejos que deixam nossas paradas para pousar em outras redenções. Muito devo a minha cidade, caros amigos, mas muito mais espero dela. Vou voltar, sei que ainda vou voltar.


 


João Carlos Bacôca


 


João Carlos é pauloafonsino, estudante de medicina na Universidade Federal de Sergipe



 

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