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Paulo Afonso, A Cidade do Eterno Potencial


 


Poucas coisas me irritam mais, quando se referem à cidade de Paulo Afonso, que a palavra POTENCIAL. Como todos devem saber, entre outros significados, ela exprime possibilidades. Ouço (desde que comecei a entender o mínimo necessário de nossa língua) milhões de vezes a expressão “O grande POTENCIAL turístico de Paulo Afonso”.


 


Lendo a matéria sobre a visita do secretário de cultura de São Paulo, publicada aqui neste site, vi, pela milionésima primeira vez, a famigerada palavra dita por ele. Só de tê-la escrito três vezes até agora, meu corpo parece ter urticária. E, certamente, todas as outras vezes que talvez precise escrevê-la neste texto, o farei com um gosto travoso na boca.


 


Quantas vezes será repetida essa mesma ladainha maçante? Não há resposta para isso. Para a retórica não há limites. Para mim, nunca mais usá-la já seria um ganho enorme. Podemos deixar que a formação natural e a fabricada no passado deem conta de destacar o município. Afinal, EVOLUÇÃO não está no vocabulário desta cidade, pois em termos de organização turística (citando apenas um exemplo), vivemos do que já foi feito pela Chesf e por administrações municipais anteriores.


 


Muita gente que sustentou esse POTENCIAL só como discurso, e ainda o faz, nunca provocou uma discussão séria, sequenciada por uma ação contínua e mantida como plano de desenvolvimento. E não apenas econômico, mas, acima de tudo, social e cultural. São pessoas que, notoriamente, estão próximas ou pertencem a crista do poder municipal. E que estariam com a faca e o queijo na mão. Mas o queijo criou bolor e a faca enferrujou, como é de costume.


 


Não se pode viver de possibilidades apenas. Tudo tem potencial, tudo é passível de avançar. Ter a oportunidade de evoluir não garante a evolução. E não falo de dinheiro. Este não é um problema para nossa cidade. Nenhum dinheiro é suficiente quando não há um sentido claro de intenções voltadas para o desenvolvimento real, não publicitário, de uma cidade.


 


Há pessoas cheias de dinheiro no bolso, com a mais bela vitrine no lugar da cara, rodeadas de oportunistas. Gente que não entende a palavra mérito e que se encanta com a simples possibilidade de ficar perto do poder. Gente que é feliz se alimentando da sombra que os outros produzem, reproduzindo discursos cínicos e ultrapassados. A única coisa que cresce nelas é a arrogância externa. Por dentro, no entanto, reina o atraso, a ignorância e a mesmice. Esta é uma boa metáfora para falar de uma cidade bela de face e oca de alma.


 


Eu adoraria ter encontrado o secretário de CULTURA de São Paulo. Teria o maior prazer de sugerir a ele uma visita à única “biblioteca” pública do município, no Centro Cultural do Raso da Catarina. Ali, provavelmente, ele perceberia qual a idéia turística, cultural e de desenvolvimento humano que se alardeia nesta cidade que amo, mas que, a cada dia, não passa apenas de um patético POTENCIAL.


 


João Clareno Medalha.


 

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