Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

SÃO PAULO – O aumento populacional verificado pelo Censo 2010, do IBGE, faz com que boa parte dos municípios brasileiros já esteja começando a articular um novo aumento no número dos vereadores, a partir de 2013. Como a Constituição federal determina que a quantidade de representantes nas Câmaras municipais deve ser proporcional ao número de habitantes de cada cidade, o Brasil vai registrar uma explosão do número de vereadores daqui a dois anos: eles passarão de 51.992 para 59.708, segundo cálculos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).


Ou seja, haverá pelo menos 7,7 mil parlamentares a mais já na próxima legislatura, após a eleição municipal de 2012. E, com isso, uma garfada ainda maior nos cofres públicos. Em 2013, a chegada desses oito mil vai coincidir com o reajuste salarial generalizado para os vereadores de todo o país. Isso porque o reajuste salarial de 62% para os deputados e senadores, aprovado este mês, tem efeito cascata, e nas Câmaras municipais chegará em 2013. Os novos vereadores já vão chegar ganhando mais. O teto salarial de um vereador, que hoje é de R$ 9.288,27, poderá chegar a R$ 15.031,75 em 2013.


Um vereador pode ganhar 20% do salário dos deputados estaduais em cidades com até dez mil habitantes – o que hoje significa R$ 2.476,87 – e até 75% do salário dos deputados estaduais em cidades com mais de 500 mil habitantes. E o salário dos deputados estaduais também pode variar de estado para estado, pois eles podem ganhar até 75% do que recebem os deputados federais. Por conta dessas inúmeras variáveis, os especialistas não se arriscam a apostar em quanto aumentarão as despesas nas Casas de todo o país.


De concreto, sabe-se apenas que o aumento salarial concedido aos deputados este ano pode aumentar em até R$ 1,83 bilhão os rendimentos dos vereadores, considerando somente o número de 51.992 exercendo mandato atualmente. Fazendo uma conta por baixo, com base no salário de R$ 2.246,87, apenas o aumento no número de vereadores custará mais R$ 230 milhões por ano ao país. Ou seja, a soma dos reajustes com o aumento do número de vereadores custará ao país mais de R$ 2 bilhões por ano.


Emenda favoreceu crescimento


Algumas cidades já começam a fazer suas contas. Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, por exemplo, a Câmara vai abrir mais seis vagas, passando dos atuais 19 para 25 vereadores. Com uma folha de pagamento hoje de R$ 2,272 milhões por ano, o município vai ter que gastar mais R$ 720 mil com os novos eleitos, sem contar despesas de gabinete.


Ao passar de 20 para 27 vereadores, a cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, também já prevê gastos milionários. Atualmente, a despesa por lá é de cerca de R$ 186 mil por mês, mas pode chegar a R$ 405 mil em 2013 – o que se explica não só pelo aumento da quantidade de parlamentares, mas também por que eles podem fixar como salário para o próximo mandato o teto máximo previsto por lei, de 75% do que ganha um deputado estadual.


Para evitar um buraco nos cofres públicos, algumas cidades procuraram se precaver. Florianópolis, que terá sete vereadores a mais, decidiu diminuir a remuneração dos vereadores a partir de 2013, passando-a dos atuais R$ 8,1 mil para R$ 6,1 mil.


O crescimento populacional, no entanto, não vai interferir em algumas das maiores capitais. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, São Paulo, Rio e Belo Horizonte continuarão com o mesmo número de vereadores: 55, 51 e 41, respectivamente. Em São Paulo, não haverá mudanças, porque, segundo a Constituição, 55 é o número máximo de vereadores que uma cidade pode ter, independentemente do número de habitantes. Já Rio e BH não têm, hoje, a população necessária para ter mais vereadores.


A antiga redação do artigo 29 da Constituição dividia as cidades em apenas três faixas, de acordo com o número de habitantes: até 1 milhão de moradores; de mais de 1 milhão até 5 milhões; e de mais de 5 milhões. Agora, o texto, alterado pela Emenda 58 de 2009, estabelece 24 faixas populacionais. Com isso, muitas cidades vão poder ampliar o número de vereadores, como as que têm entre 300 mil e 1 milhão de habitantes, por exemplo, que antes podiam ter, no máximo, 21 parlamentares e agora podem chegar a 31.


De acordo com a CNM, o estado que teria maior aumento no número de vereadores seria São Paulo, que passaria de 6.270 vereadores para 7.511, sem contar os de Diadema, cidade sobre a qual o CNM afirma não ter dados. Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, isso se deve ao fato de São Paulo ser o estado mais populoso do país, com 41 milhões de habitantes, de acordo com o Censo.

Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

VEJA MAIS

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.