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Na contramão da demonstração de força da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, que nos quatro últimos anos demitiu 850 policiais envolvidos com a criminalidade, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia expulsou no mesmo período 263 policiais.

A diferença ainda é maior se for considerado apenas os policiais militares demitidos. No Rio de Janeiro foram 700 contra 229 na Bahia. Ou seja, na Cidade Maravilhosa as demissões foram três vezes mais.

A medida de combate aos maus policiais no Rio foi reforçada pelo secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. No Rio, só em 2009 foram expulsos 300 PMs e 36 civis. O número é parecido com o de São Paulo, que em pouco mais de um ano excluiu de seus quadros 317 agentes civis e militares envolvidos com desvios.

“A corrupção é um problema brasileiro, e o Rio está nesse contexto. É uma chaga das polícias. Através das corregedorias avançamos bastante. Está bom? Não está. Há muito a se fazer”, explicou Beltrame em entrevista à revista Veja.



AVANÇO
O Rio tem atualmente um efetivo de 55 mil policiais, sendo 40 mil PMs, e a Bahia tem 40.700, dos quais 32 mil estão na Polícia Militar. De acordo com informações da Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) e da assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, todos os policiais demitidos a bem do serviço público eram investigados por envolvimento em corrupção, sequestros, tráfico, homicídio, suborno, estelionato,  grilagem de terra, milícia, porte ilegal de armas e outros crimes.

Durante demonstração do balanço das ações da SSP, anteontem, o secretário César Nunes concordou que ainda há muito para avançar no trabalho das corregedorias. “É uma questão também de formação profissional e pessoal. As corregedorias estão atuando, mas precisam melhorar muito”, reconhece.

Reação positiva 
Embora o número de policiais criminosos demitidos no estado não seja expressivo, o professor Carlos Alberto da Costa Gomes, coordenador do Observatório de Segurança Pública da Bahia, avalia a medida de forma positiva.

“No momento que se está excluindo, há reação. Quer dizer que está funcionando. Antes não era assim”. Para ele, existe um descontrole da cadeia de comando que permite o espaço para o crime nas corporações.
“É a leniência que ocorre quando existe envolvimento com o criminoso. Ou seja, é uma falha decorrente do entendimento errado do espírito de corporação. A forma de pensar de que se trata de um colega, e não de um criminoso”, explica  Costa Gomes.

Em um exemplo que vem de fora e tem dado certo, a polícia de Los Angeles destacou quase 500 policiais (de um total de nove mil) para se dedicar exclusivamente à investigação da corrupção policial e uso indevido da força.
Para combater a corrupção, os Estados Unidos investem em bons salários  e no respeito à categoria, segundo explicou o ex-chefe de Polícia de Nova York e de Los Angeles, William Bratton, em visita ao Rio de Janeiro.

“Nós dizemos aos policiais: ‘Se você for contra a lei, vamos te encontrar, te prender, você vai pra prisão. Se você for corrupto, se cometer abusos, for racista, o mínimo que vai te acontecer é ser demitido’”, afirmou ele, em entrevista ao site Comunidade Segura.



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