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Aracaju, 26 de novembro de 2010


Hoje pela manhã recebi a edição semanal da revista que assino. Logo na capa, uma nota me chama atenção, ao passo que provoca reflexões. A chamada faz menção ao crescimento vertiginoso que certas cidades médias brasileiras – aquelas que possuem entre 100 mil e 500 mil habitantes – vêm apresentando.


Curioso em ler a reportagem e verificar o desempenho de nossa cidade, fui direto àquelas páginas, e uma realidade triste, mas verdadeira espantou-me: dentre inúmeras cidades nordestinas, Paulo Afonso sequer foi citada. Em meio à Petrolina, Campina Grande e até mesmo a alagoana Arapiraca, o nome da nossa capital da energia não figurava.


Retorno, pois, a refletir sobre qual o motivo desse “esquecimento”. Tomando Petrolina como exemplo, surge um dentre vários questionamentos: Quem era essa cidade há 20, 30 anos e quem era Paulo Afonso nos idos de 1980? Ora, Petrolina não passava de mais uma cidade do alto sertão pernambucano, fadada ao desleixo e às mazelas a que são submetidas cidades sertanejas. Paulo Afonso, por sua vez, recebia a alcunha de terra do progresso, das grandes obras, da Chesf com suas hidrelétricas promissoras e geradoras de emprego. Pois, por ironia, dessas que o destino prega, os papéis invertem-se e Petrolina figura como a grande capital do sertão. Sem querer minimizar os méritos dos pernambucanos, mas rechaçando a incapacidade de Paulo Afonso desenvolver-se.


O curioso, porém, é que nossa cidade já naquela época contava com infra-estrutura e recursos para desenvolver-se. Enquanto Petrolina, Arapiraca, ainda engalfinhavam-se a clamar pela atenção de seus representantes.


Janeiro se aproxima, e tal reportagem não poderia ter vindo em melhor primavera. A realidade choca-me, e chego à conclusão espantosa, porém verdadeira: quem governa Paulo Afonso não está preocupado com nosso desenvolvimento social, educacional, econômico, tampouco se incomoda em diminuir a dependência crônica dessa cidade em relação à CHESF. E engana-se quem pensa que me refiro apenas ao governo municipal. Ora, estado e união também são responsáveis. Afinal, não elegemos deputados estaduais e federais para nos representarem perante os governos da Bahia e do Brasil?


Fácil, caros leitores, é pousar em Paulo Afonso, fazer carreta, abraçar a todos. Difícil é contribuir para melhorar a vida daquela gente. Simples é inaugurar obras com estardalhaço político e discursos fervorosos. Complicado é fazer com que tais obras canalizem recursos e desenvolvimento para o município. Básico é fazer política. Essencial é governar para o povo. E escrevo isso sem tomar partido, até porque em nossa democracia o voto é secreto, e minhas convicções político-partidárias a ninguém interessam.


2011 aproxima-se, meus amigos. E mais jovens pauloafonsinos, assim como este que vos fala, arrumam sua bagagem em direção a outras paradas. Mais mães, como dona Ivoneide Bacôca, começam a chorar copiosamente por seus filhos, que agora encontrarão o mundo. Paulo Afonso até possui algumas boas faculdades, mas emprego, como diria o velho e bom caboclo nordestino: “tem, mas tá em falta”.


Façamos, pois, valer nossos direitos como cidadãos, como eleitores. Na política, bem como em uma sala de aula, o povo tem o governante que merece. Mais um ano se finda, ao passo que outro inicia. É o ciclo da vida, a razão de nossa existência. Que Paulo Afonso acorde para o futuro, para que os filhos dessa terra não derramem mais lágrimas iguais aquelas que escorreram do meu rosto há 04 anos, quando tive que deixar minha cidade em busca do futuro.


Saudades da terra!


João Carlos Bacôca


 


João Carlos é pauloafonsino, estudante de MEDICINA na Universidade FEDERAL de Sergipe.

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