OZILDOALVES.COM.BR – CONTATO
Mensagem enviada através do site em 22/6/2010 – 12h4m
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Nome: VALDECI PEREIRA ELIAS
E-mail: valdecipereiraelias40@bol.com.br
Mensagem: Caro amigo Ozildo,
È com grande alegria que vejo o nobre amigo, velho colega de escola, agora, compromissado na política em prol do povo Pauloafonsino.
Confesso, ao caro amigo, que às vezes em viagem a minha terra Natal, sinto bastante tristeza quando me deparo em situações de contrastes, costumeiros, antigos, permanecentes nessa região do agreste baiano. Uma cidade linda, digna de seu povo, repleta de praças iluminadas com a generosidade de nosso “Velho Chico”.
Uma vegetação invejável. Uma cidade que já possui uma agenda cultural repleta de festas, de grande porte, contando, sempre, com a presença de cantores e grupos musicais consagrados na mídia Nacional e Internacional.
Todo este cenário, digno da região tem o propósito e consegue, apesar de momentaneamente, divertir, animar, distrair. Mas, infelizmente não consegue camuflar o sofrimento deste povo sertanejo, de beleza rara, costumes simples, com semblante de sofrimento, evidenciado através de atitudes de desespero
percebido na vida cotidiana.
Penso, por vezes, que é um povo fragilizado, sem emprego, sem segurança e sem saúde que sempre recorre a favores e do apoio de cidades e capitais vizinhas como Aracajú, Salvador e Recife, principalmente no que se refere no socorro no dia-dia, em particular, na saúde. Torna-se uma situação de calamidade pública,
apesar de não ser reconhecida pelos governantes locais.
Um povo quase sem forças, sem perspectiva de melhora, e o que é pior, por falta de opção, demonstra, por vezes, perda de seu senso crítico. Tornam-se por vezes acomodados em aceitar tudo como destino da vida. Penso que existe infiltrado na sociedade local os “omissos” que conhecem a sistemática e podem dar sua parcela de contribuição para amenizar o problema, mas não se manifestam por uma questão de comodismo. Preferem aceitar tudo e concordar com tudo. Optam pela neutralidade e o que é pior insistem em tirar proveito de tal situação. Penso que isto é justificado, talvez em função de um sistema antigo de patriarcas coronelistas ainda enraigado nessas terras nordestinas, fruto de “personagens” que se apossaram da região e ainda não aceitam a “QUEBRA DO MURO DE BERLIM, representado nas páginas tristes da história de Paulo Afonso evidenciado através do muro da
antiga vila POTY, onde, vergonhosamente, separava os pobres Candangos Sertanejos e moradores do acampamento Chesf.
De um lado o acampamento da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), com toda estrutura de casas, padarias, lojas, clubes, praças, hospitais, segurança e muito conforto. Do outro, a Vila Poty, repleta de retirantes, vindo de diversas regiões
do sertão nordestino, se amontoando em miseráveis casebres de taipa cobertas com sacos de cimento que sobravam da obra da hidrelétrica. Era da marca Poty, que resistiu por muito tempo. Muro esse quebrado na década de 80 graças as mãos calejadas incansaveis de seu povo e da coragem de célebres personagens memoráveis de nossa história como DOM MÁRIO ZANNETA e PADRE LOURENÇO, que viveram seu sacerdócio vocacionados em denunciar e viver o evangelho na luta pelo próximo, em particular pela cabloco cassaco sertanejo.
Concluo parabenizando o caro amigo, pela iniciativa e criatividade demonstrando através da “TRIBUNA DO POVO” importante periódico que serve como ferramenta e instrumento de informação nas denuncias as desigualdades sociais locais.
Desejo e fico na esperança de dias melhores a cada Pauloafonsino. Que o emprego possa ser uma realidade de seu povo sem a necessidade da ausência dos pais que às vezes em ato de desespero, saem de suas casas, com coração partido, à procura
de emprego em lugares distantes e ocasionando divisão de família. Revela-nos conseqüências de desajuste familiar e de conseqüências imprevisíveis.
Fico na torcida que a saúde pública de Pauloafonso seja disponibilizada a todas as famílias e não somente a privilegiados. Que não haja a necessidade de humilhação por parte de seu povo em pedir favores e serem deparados de forma vergonhosa e escancarada durante as eleições. Como diria o saudosista LUIZ
GONZAGA, ( REI DO BAIÃO) em seus versos de poeta e cantador; “Mas doutô uma esmola para um homem que é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Penso que o povo não pode ficar a mercê de uma minoria absoluta. Tem que descobrir seus ideais para que possa colher suas conquistas.
Concluo parabenizando, o nobre amigo, pela descoberta de sua vocação na área jornalística demonstrada na mídia local e desejo sucesso nos objetivos em prol da comunidade.
VALDECI ELIAS (estudante do CIEPA nos anos de 1988 a 1996).





