Vinte e cinco cirurgiões gerais que atuam no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, comunicaram ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) a decisão de realizar um desligamento programado das escalas da unidade. Segundo o Conselho, entre os motivos apontados pelos profissionais está o atraso no pagamento dos honorários, que, conforme relatado pelo grupo, chegou a cinco meses.
A situação foi apresentada formalmente ao Cremeb na segunda-feira (17), durante reunião entre os médicos, representados pela advogada Ana Caroline Amoedo, e o conselheiro diretor do Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico (DEPMED), José Abelardo de Meneses.
De acordo com as informações apresentadas pelos profissionais e registradas em documentos entregues ao Conselho, além dos atrasos nos pagamentos, há redução no número de médicos disponíveis para os plantões, o que teria provocado sobrecarga nas escalas. O grupo também relatou defasagem nos valores pagos pelos plantões, considerados incompatíveis com o grau de complexidade dos serviços prestados na unidade.
Segundo o Cremeb, a reunião foi solicitada pelos médicos em busca de apoio institucional diante dos problemas relatados e dos possíveis impactos sobre a continuidade da assistência à população. O Conselho informou ainda que, no mesmo dia em que recebeu a denúncia, encaminhou ofícios à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), à Superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS) e ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).
O conselheiro José Abelardo de Meneses afirmou que o cenário preocupa o Cremeb, especialmente diante do aumento de demandas relacionadas à inadimplência de honorários médicos. Segundo ele, além dos impactos sobre os profissionais, atrasos de pagamento podem provocar reflexos na prestação de serviços de saúde e atingir usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sesab contesta informações sobre desligamento e pagamentos
Em nota enviada sobre o caso, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia informou que a assistência aos pacientes do Hospital Geral Roberto Santos permanece garantida e que não houve interrupção no funcionamento dos serviços.
A Sesab também afirmou que não recebeu solicitação formal de desligamento coletivo dos médicos da unidade e que as escalas de trabalho seguem organizadas para assegurar a continuidade do atendimento.
Sobre os pagamentos, a Secretaria declarou que os valores devidos aos profissionais estão sendo realizados dentro dos prazos estabelecidos nos contratos. A pasta informou ainda que o pedido de reajuste dos valores dos plantões foi atendido, com um acréscimo de 30% na remuneração.
Ainda segundo a Sesab, todos os esclarecimentos e informações referentes ao caso já foram formalmente encaminhados ao Cremeb.





