Deputado lamenta que, apesar do lucro de R$ 10 bilhões obtido em 2010, Companhia deixou de financiar projetos sociais nas regiões ribeirinhas
O deputado estadual Inácio Loiola (PSDB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Alagoas, na tarde desta terça-feira (06), para fazer duras críticas à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), instalada nas regiões ribeirinhas de Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco. O parlamentar alegou que, depois de ter explorado o maior manancial do País, a empresa ‘abandonou’ os estados e está ‘inviabilizando’ o trabalho do Instituto Xingó, uma entidade que desenvolve dezenas de projetos de sustentabilidade em 29 municípios.
De acordo com Loiola, o Instituto Xingó foi criado há 15 anos com o incentivo da Chesf, na época em que a Companhia precisava do apoio dos estados e das prefeituras localizadas nas áreas onde estavam sendo executadas obras de hidrelétricas. “A Chesf foi a maior incentivadora para a criação do Instituto, mas só o ajudou até quando lhe foi conveniente. Apesar de saber que ela trouxe desenvolvimento, reconheço que a Companhia foi a grande predadora do Baixo São Francisco. Explorou e depois abandou a região”, disparou o peessedebista.
Loiola informou que, por conta do atraso no repasse mensal feito pela empresa, o Instituto Xingó está tendo dificuldades para continuar executando os projetos de empreendedorismo e desenvolvimento sustentável fomentados ao longo de mais de uma década. “São atividades de psicultura, biodiversidade da caatinga, capinocultura, apicultura, incentivo ao turismo rural, incubadoras e empreendimentos solidários. Até o projeto modelo produção de pós-larva de Pitu, que visa o repovoamento do São Francisco e que só existe lá em Piranhas, está inviabilizado”, denunciou.
“Vale lembrar que, antes de explorar 40 mil quilômetros das regiões ribeirinhas desses estados, a Chesf destruiu, por exemplo, atividades de psicultura e a cultura do arroz. Esta última praticamente desapareceu”, complementou.
Lucro bilionário
O tucano lembrou que a Chesf teve um lucro bilionário em 2010 e que não entende o porquê da Companhia de ter deixado de ajudar ao Instituto. “A empresa ganha muito dinheiro. Foram mais de R$ 10 bilhões no ano passado e por isso não vejo justificativa para tal abandono. E o pior é que o Conselho do Instituto Xingó já procurou a Companhia várias vezes e nunca teve resposta alguma. Os funcionários, consultores e estudantes que fazem parte da instituição já não sabem mais o que fazer. São três meses sem salários e sem pagar aos fornecedores”, explicou o deputado estadual.
Inácio Loiola encaminhou ofício à presidência da Assembleia para que a Casa de Tavares Bastos solicite explicações à Chesf da motivação que provocou o atraso no repasse mensal ao Instituto e também solicitou que o governo do Estado cobre as mesmas explicações. “Precisamos saber o que provocou esse descaso nefasto da Chesf”, alfinetou o parlamentar.
Janaina Ribeiro – gazetaweb.com





