O surgimento do primeiro templo religioso voltado para o público LGBT de Maceió causou “espanto” nos próprios homossexuais, mas a ideia de levar apoio espiritual aqueles que costumam ser ignorados pelas demais instituições religiosas vem reafirmar a busca do cumprimento dos direitos humanos voltados para o movimento.
Localizada no bairro do Jacintinho, a Comunidade Cristã Nova Esperança foi fundada pelo estudante Anderson Rocha da Silva, que já foi evangélico, assim como o coordenador-geral do Grupo gay de Maceió (GGM), Tanino Silva (pauloafonsino), que afirmou que a entidade vem acompanhando a iniciativa.
Silva confirmou a surpresa que muitos homossexuais tiveram ao tomar conhecimento dos cultos no local, que pararam, diante da falta de divulgação. Mas, o apoio de templos em São Paulo, Rio de Janeiro, Natal e Recife trouxe uma nova perspectiva para a Comunidade Cristã Nova Esperança.

Pauloafonsino Tanino Silva é o coordenador-geral do Grupo gay de Maceió (GGM)
“Muitas pessoas não acreditaram que essa igreja fosse um lugar sério, pois é algo novo, mas não se trata de uma seita, realmente há fundamentos religiosos. Como o fundador procurou um bairro com grande diversidade cultural e sexual, a ideia foi logo aceita. O objetivo também é ministrar palestras para a comunidade. Estamos dando um suporte e consideramos a iniciativa um avanço, tanto para o movimento LGBT quanto para as comunidades evangélicas”, destacou.
Ele acredita que vai haver críticas quanto ao templo, mas afirma que será mais um desafio a ser vencido pelo movimento LGBT. “Além da homofobia diária, vamos enfrentar a homofobia religiosa, mas o movimento está pronto para passar por essas dificuldades. É bom lembrar que o templo é aberto a heterossexuais, que saberão que ali existe diversidade sexual”, disse.
Para o coordenador, ainda há muita discriminação nas igrejas, acerca dos homossexuais. “Já fui evangélico e quando assumi minha condição sexual, sofri discriminação, pois queria continuar na igreja. Muitos criticam as religiões de matriz africana, pela grande quantidade de homossexuais que frequentam, mas agora, vamos poder freqüentar um lugar sem se preocupar com o preconceito de muitos pastores”, contou.





