Após mais de dois anos desde o início das obras de construção, a prefeitura prometeu entregar o mercado público no final deste mês, mas, talvez devido à ausência de planejamento, está havendo uma enorme insatisfação por grande parte dos feirantes. Alegando que a prefeitura não cumpre o que fora acertado nas reuniões que antecedem à inauguração do mercado, os feirantes se mostram indignados e prometem lutar contra o que chamam de “arbitrariedade do executivo”.
Com banca na feira há mais de vinte anos, Antônio Sandes se diz retaliado pelo governo municipal que não o cadastrou, acredita ele, pelo fato de liderar um movimento que já arrecadou mais de oitenta assinaturas dos seus colegas comerciantes. “A prefeitura quer empurrar esse mercado de ‘garganta adentro’, a gente sabe o tamanho do porte dessa feira de Paulo Afonso, no Nordeste você não encontra uma feira de varejo como essa de Paulo Afonso”, disse Sandes, explicando que o pequeno espaço do mercado não comporta a feira livre.
Os feirantes que trabalham com confecção dizem que o espaço oferecido no mercado para a exposição de suas mercadorias é de apenas quatro metros, mas que a maioria de suas bancas tem, em média, quinze metros. Outro problema diz respeito ao transporte da mercadoria que será feito diariamente obrigando os feirantes a subirem e descerem a rampa de acesso aos boxes, além de pagarem uma taxa de R$ 96,00 (noventa e seis reais).
A indignação dos feirantes é tão grande para com a administração pública municipal que Nadja Maria não poupou críticas: “estamos sendo tratados como cachorros, porque ninguém quer saber o que achamos, porque antes de construírem isso aí, era pra terem organizado uma comissão do pessoal da feira pra saber se seria melhor pra gente e como seria”, desabafou.
De acordo com os feirantes o valor da taxa diária de R$ 24,00 (vinte e quatro reais) que terão de pagar à prefeitura será repassado ao consumidor encarecendo, assim, o preço das mercadorias. Para Antônio Sandes, muitos feirantes que moram na zona rural e que expõem suas mercadorias apenas às sextas-feiras e sábados terão um grande prejuízo uma vez que comercializam apenas dois dias, mas que terão que pagar pelos dias que não utilizarem os boxes do mercado.
“Dr. Anilton passou aqui (na feira) e eu perguntei se ele poderia receber uma comissão da feira para dialogar sobre esse mercado, ele disse que sim e nunca marcou essa reunião; é um descaso”, afirmou Antônio Sandes.





