8 de maio de 2026

Professor Nery: Vale-Tudo para 2012

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Vale tudo mesmo? É o que nós queremos? Será melhor para o povão? Queremos avanço? Queremos nos divertir? Que tudo vá para o beleléu? É isso? É isso mesmo? Comamos, então, que amanhã morreremos. Se tudo vale para as eleições de 2012, então é melhor sentar e relaxar. Procurar o melhor para si mesmo e relaxar. O apóstolo Paulo já dizia que o que cada um busca mesmo é o seu próprio interesse.
 
As uniões, conchavos, barganhas e alianças que se divisam no horizonte para as eleições do próximo ano em nossa cidade nos levam a crer que o que menos se está levando em conta são princípios, fundamentos, e o bem geral da coletividade. Vale tudo para a conquista do poder. Seria o caso de abrir os braços e aceitar Fernandinho Beira-Mar em uma coligação sob a presunção que traria consigo muitos votos de traficantes, viciados e corruptos. Tudo vale para a conquista do poder.
 
Nada contra a busca do poder. Nada contra, também, o eleitor querer saber para que o postulante deseja esse poder. Deveria ser para o bem geral do povo em nome de quem ele é exercido nas democracias. Longe vai o direito divino de os reis governarem. Fora de moda as ditaduras, mesmo aquelas poucas dos déspotas esclarecidos. Longe, pelo menos por enquanto, a ditadura do partido único.
 
Nada autoriza alguém falar em nome do povo sem o aval do voto, seja ele comprado, seja ele coagido. Voto é voto e aqui não cabe a discussão sobre quem é mais corrupto; o eleitor displicente – ou comprado mesmo que barato – ou o sabidão disfarçado de político. O jornalista, não obstante, pode – e deve – tentar traduzir em palavras a voz rouca das ruas. Rouca é a voz dos que se comunicam através de todos os códigos que não a palavra. O povo certamente não entende certos conchavos. O povo gostaria de escolher alguém que emprega milhões em uma única obra sob a alegação de estar dando coletivamente aquilo que o indivíduo não tem em casa ou alguém outro que pulveriza o dinheiro em obras minúsculas ou menores que beneficiam um número maior de pessoas; entre quem investe pesadamente em saúde e educação, considerando que o indivíduo sadio e educado produz, ou alguém que investe em infraestrutura sabendo que progresso redunda necessariamente em saúde e educação.
 
Como pode alguém votar conscientemente, ser o fiel da balança, escolher o que acha melhor, se as partes postulantes se compõem sem nenhuma lógica, sem nenhum critério, sem nenhum pudor? Que pode esperar de uma administração dividida? Que esperar de um animal de duas cabeças? Como pressupor entendimento nessa composição? Um reino dividido não se sustém, todos sabemos.
 
Como encerrar este artigo? O que dizer ao leitor? Como aconselhar? O mal pode estar na legislação eleitoral; na anulação do princípio partidário. Pode estar no caráter do homem. Ah, a miserável condição humana! Por enquanto, olhar e observar. Nunca desistir. Se os políticos profissionais estão insistentemente a nos decepcionar, procuremos a militância nas organizações civis apartidárias. Evitemos, talvez, a ideologização. Há mil e uma coisas que podem ser feitas em uma comunidade. E, fiquemos certos, o povão está de olho.

 
 F. Nery Jr.
 

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