7 de maio de 2026

José Tenório dos Santos: Coffe Break

Por

Coffe Break


Por José Tenório dos Santos
tenoriosanto@hotmail.com



Tivemos a ilustre presen
ça do mestre Ariano Suassuna, que veio nos falar da importância da cultura de um povo, não nos ensinar cultura, porque cultura não se ensina, se faz, se vive. Ensina-se a alguém a dançar, mas, a força que nos direciona a escolher o tipo de dança que nos irá satisfazer é que é cultura própria. Ensina-se alguém a fazer música. Da mesma forma, o tipo de música a ser cantada é que é cultura. Estas escolhas surgem naturalmente, dependendo do ambiente em que o individuo vive e convive, como um piscar de olho que nos protege de um cisco na visão.


Outro dia viajando, no som do carro tocava uma música orquestrada, meu filho ainda com apenas três anos disse: “Quem gosta de música que ninguém fala, é meu tio”. Seu tio é um advogado que gosta de ouvir música instrumental enquanto escreve em seu escritório. Conto isto apenas para ilustrar a capacidade de uma criança observar e absorver o que ouve e vê. Portanto temos apenas que criar espaços com a simplicidade e a importância de projetos como Mala do Poeta e Semanas Culturais, para que as pessoas se expressem. Prestar atenção aos quadros de Aníbal, ao espetáculo de Rubens Brasil, Bia Leite, sentir o sopro de Fabrício, ler e ouvir as mensagens dos poetas, Haten, rir com Bosco, rezar com padre Cícero, contar a real história de lampião. Quer criticar? Critique.


Vamos fazer o que a gente gosta, vamos viver. De qualquer forma o tempo dirá aos nossos descendentes quem somos. Tenho visto muita gente preocupada em determinar (não podemos rotular) a cultura de Paulo Afonso. Nossa cidade é uma jovem com apenas cinquenta e três anos. É uma cachoeira formada de afluentes culturais vindos de todos os estados brasileiros. Deixemos que os ventos juvenis façam ondas, vamos apenas movimentar os nossos geradores, evitando que culturas (como o pastoril) desemboquem no sumidouro, que com certeza a nossa energia artística iluminará nitidamente mostrando para o mundo qual é a cultura de Paulo Afonso.


Não tenho a autoridade de Ariano Suassuna para falar em cultura porque ele na grandeza dos seus oitenta e quatro anos dedica sua vida a escrever e defender a cultura brasileira, mas, sei que o que ele sabe verdadeiramente sobre cultura não aprendeu nos grandes colégios que frequentou, e sim, na infância vivida na cidade de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa na Paraíba, onde era chamado para tomar café ao invés de coffe break. 

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