A parte mais antiga de Paulo Afonso é cercada pelas águas do rio, formando uma ilha. É possível perceber com nitidez as diferenças sociais entre os dois lados da ponte.
Enquanto na Avenida Apolônio Sales, uma das principais da cidade, uma casa pode custar até R$ 1 milhão, existem locais, como a Prainha, onde a pavimentação ainda é motivo para comemoração.
“Aqui não tem nenhuma área para as crianças, e hoje ainda está melhor porque antes não dava nem para deixar na rua porque era tudo esgoto”, lembra a comerciante Gedalva Santos da Silva, de 51 anos, mãe de Cristiane e avó de Estefanie, 9 anos, Hilary, 5 anos, e Medley, 1,4 ano. Segundo ela, manter as duas mais velhas na escola é uma luta, já que o bairro não conta com nenhuma instituição para maiores de 4 anos.
Para estudar, restam duas opções, ou o colégio que fica no bairro do aeroporto, onde há transporte público,mas as crianças precisam dividi rum ônibus com outras de idades diversas, de acordo com Gedalva; ou, então, é encarar a travessia da ponte para o centro da cidade. “Neste caso, a pessoa não pode fazer mais nada no turno da manhã porque são 30 minutos de caminhada para chegar lá, depois voltar e ainda tem que ir de novo buscar”, lembra.
O bairro da Prainha, que existe há mais de 15 anos, joga todo o esgoto no Rio São Francisco a poucos metros da área de banho equipada com quiosques que deu nome à região. “Um dia desses, eu estava trabalhando, procurei água para beber e não achei, fui beber do rio e passei uma semana com febre”, lembra o pedreiro Orismar Silva Santos, apontando a saída do esgoto a poucos metros dele. Com informações do A Tarde.





