15 de abril de 2026

Athilom Marinho: Universitários de Faz de Conta

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Nosso município tem visto um aumento do número de pessoas estudando em faculdades. A primeira vista, é natural imaginar que isto se reflita em conhecimento, afinal, quando se pretende estudar, o primeiro intuito é aumentar as oportunidades num mundo cada vez mais  exigente, pelo menos na ótica profissional. É por isso que se tem estudado ultimamente, para se conseguir um emprego rendoso. Razão compreensível, é óbvio. Mas insuficiente para fazer da nossa cidade um lugar de gente dada à aprendizagem, à crítica e à ética.


 


Numa avaliação simplista, nossa cidade já pode ser considerada um centro intelectual e preparado para o que a Era do Conhecimento preconiza. Puro engano. Temos o desatualizado hábito de medir o interesse por conhecimento apenas contando a quantidade de pessoas matriculadas em qualquer modalidade de ensino. Qualquer pessoa de bom-senso sabe que qualidade não se mede por números, mas por desempenho. Alguns de vocês já tiveram a oportunidade de conviver com os novos interessados em educação superior nesta cidade? Se não, fiquem atentos. Vão ver uma massa só interessada em concluir mais uma etapa, porque ouviram falar que “estudar” é útil. Será que estamos vivendo um aparente desenvolvimento do intelecto? Mesmo estando em faculdades, boa parte dos matriculados parece nunca ter entrado num estabelecimento como estes.


 


Imaginemos que haja um evento acadêmico de porte na cidade. Que os participantes matriculados em instituições de ensino superior tivessem a oportunidade de discorrer por um minuto sobre sua área de estudo. Um minuto, apenas. Quantos vocês acham que se expressaria com clareza? É  até difícil imaginar que alguém se dispusesse. Contudo, digamos que cinco tomassem a iniciativa. Tenho convicção que os outros sequer pensariam na possibilidade. A razão é simples. Não se trata de nervosismo, como muitos vão alegar. Embora ele exista em gente bastante conhecedora, inibindo participações, inclusive. No entanto, a verdade é que, para maioria dos que se dizem universitários neste lugar, o que mais importa é terminar os cursos e receber o diploma. Portanto, não é uma das suas prioridades realmente aprender. O desenvolvimento intelectual e a consciência social são dispensáveis.  


 


Façam uma avaliação. Reúnam-se com um grupo de “universitários” conterrâneos e espere surgir alguma conversa com o mínimo de fluência verbal, cultura e raciocínio. Vão correr o risco de esperar horas inúteis. Mais da metade dos acadêmicos deste município só é chamado por esse nome porque está matriculado em alguma instituição. Se não fosse assim, se não dissessem que estudam, provavelmente jamais perceberíamos. Os bons professores são obrigados a conviver com uma mediocridade que dói nos ossos. Muitos desses hipotéticos estudiosos, aliás, se orgulham de ser do jeito que são. Confirmando uma onda de estupidez pavorosa. Tem sido mais comum manter conversas produtivas com alguns jovens que não esquentam nenhuma cadeira de faculdade. Estes já perceberam que evoluir humana e intelectualmente não depende de um título acadêmico, mas de uma simples vontade de ser alguém melhor, mais evoluído.


 


Quando temos a intenção clara de aprender, fica perceptível na maneira cuidadosa de exprimir opiniões refletidas, de lutar contra o preconceito e a hipocrisia crescentes. E, para grande parte desses novos estudantes, as faculdades e universidades presenciais ou à distância, devem ser bastante compreensíveis com eles. Afinal, querem passar, senão nem estariam inscritos nos cursos. Isto seria engraçado se não fosse uma cretinice. Estas pessoas, lembrem-se, estão no ensino superior. Entretanto, a única coisa superior entre eles é sua apreciada e bem difundida ignorância. Como disse Edith Sitwel, uma escritora inglesa: “Sou paciente com a estupidez, mas não com aqueles que são orgulhosos dela”. 


 


Athilom Marinho, cronista pauloafonsino


atl_um@hotmail.com

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