
O recuo do governo na decisão de tributar compras de até US$ 50 na internet foi provocada por um desgaste político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a avaliação de integrantes do governo.
O fim da isenção de US$ 50 nas encomendas internacionais nunca chegou a ser debatida no governo, mas passou a ser defendida pelo ministro como forma de aumentar a arrecadação em meio às discussões do arcabouço fiscal, regra que prevê mais espaço para investimentos conforme a receita.
Um ministro palaciano ouvido pelo GLOBO em caráter reservado tratou a divulgação do plano de acabar com a isenção pelo Ministério da Fazenda como um teste de aceitação pública que não deu certo. Por isso, Lula teve que “estancar logo” o desgaste que vinha sofrendo com o assunto.
Diante de uma forte reação nas redes sociais e críticas por eventual impacto no bolso do consumidor, em especial da classe média — estrato da população em que Lula tenta vencer resistência —, Haddad precisou se explicar e foi atropelado por ruídos de comunicação gerados dentro do próprio governo.
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A primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja, por exemplo, foi ao Twitter para dizer que a medida tinha por objetivo combater a sonegação de impostos de empresas, e não de pessoas físicas. Mas foi confrontada por internautas de que, na prática, imposto termina encarecendo produtos.
A Receita entendia que acabar com a isenção para compras de até US$ 50 seria a medida mais eficiente para combater eventual sonegação de impostos de plataformas digitais como as asiáticas Shopee, Shein e AliExpress, entre outras. Esses e-commerces vendem produtos importados no Brasil pela internet e despontam como um grande sucesso, incomodando empresas nacionais.





