
“Ele agora está mais tranquilo. Antes era muito difícil, brigava muito na escola, então o levamos no neuro. Eu só percebi quanto ele passou a frequentar a escola, tinha já quatro anos. Então quando fomos à medica, ela disse que ele tinha mais de forma bem leve”, diz Veruza, mãe do garoto Rafael, de nove anos que mostraremos no vídeo abaixo.

Hoje, 2 de abril, Dia Mundial do Autismo, as famílias pauloafonsinas cujo drama e a alegria transpassaram as paredes do lar, vieram às ruas para dizer que vale a pena cada dia: o passo em falso, o choro, a birra, a briga, o grito, a fuga.

Agora eles precisam do abraço da sociedade que deve acolhê-los sem preconceito e com amor, mais: com a devida inserção. Na escola, com direito à saúde, acesso ao mercado de trabalho, e com a possibilidade de tratamento para viver melhor.

Segundo Veruza, os pais precisam ficar atentos desde os primeiros meses e observarem o olhar da criança e como ela responde aos estímulos. Suspeita-se que há muitas famílias aqui em Paulo Afonso que têm autistas em casa e sequer o sabem.
Foi uma caminhada longa e aos poucos, a sociedade vem conhecendo mais sobre o transtorno, a ciência avança significativamente, mas em paralelo, infelizmente, ainda existe muita desinformação e falta de oportunidades para eles.
As instituições
É importante dizer também que várias instituições estão atentas e trabalhando com as famílias para a inclusão dos autistas, como a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que desenvolve o Projeto Girassol, o 20º Batalhão da Polícia Militar, cuja terapia com os cavalos têm sortido grandes avanços, a diocese de Paulo Afonso com o projeto Zaqueu – este em fase embrionária, mas que pretende ser outra possibilidade.

Esta caminhada teve também o apoio da prefeitura municipal. Do Legislativo, a presença da vereadora Leda Chaves. Cumpre dizer que é pouco. É o mínimo.
Algumas lojas do comércio esperaram com os balões azuis e a caminhada seguiu, cada um com a sua dificuldade, com seu entusiasmo e todos querendo transformar a realidade.
“/Grão, o amor da gente é como um grão, uma semente de ilusão, tem morrer pra germinar, plantar nalgum lugar, ressuscitar no chão, nossa semeadura…/”.
Como lembra Gilberto Gil, antes é preciso morrer e depois renascer. Então que essa luta não seja apenas das famílias. Que nos unamos a elas, que possamos visitá-las, que também cobremos do poder público mais ação.
Realização: Associação Pauloafonsina de Amigos e Familiares Dos Autistas- SEMEAR; Projeto Girassol (UNEB); Equipe Multidisciplinar de Atenção aos Autistas (EMMA); Secretária de Saúde; APAE; Projeto Ame e Prefeitura de Paulo Afonso.













Linda iniciativa! A sociedade precisa se conscientizar e passar a respeitar as diferenças, diminuindo a recriminação e o julgamento, aumentando a solidariedade e o respeito! É primordial, ainda, implementar, o quanto antes, políticas públicas que disponibilizem as terapias e medicamentos necessários ao desenvolvimento das crianças com TEA, possibilitanto assim, sua inserção na comunidade de forma mais participativa, bem como, proporcionando qualidade de vida, que é um direito de todo cidadão!!!
se hoje ainda existem famílias que nem sabem da condição de seus filhos. Fico imaginando quantos autistas no passado foram postos a margem da sociedade, não frequentando a escola, não sendo inserido no mercado de trabalho e nem no meio social, vivendo como um ser “desconhecido e louco”. Benditas pesquisas científicas.