
Conhecida como uma das maiores produtoras de coco do Brasil — com cerca de 86 mil toneladas do fruto produzidas por ano e entre 15 e 20 caminhões saindo diariamente carregados —, Rodelas tem vivido dias diferentes. Nas conversas de calçada, típicas das pequenas cidades, o assunto principal deixou de ser a produção agrícola para dar lugar à expectativa pela premiação mais importante do cinema mundial.

Embora tenha nascido em Salvador, Wagner Moura passou grande parte da infância em Rodelas, onde construiu suas primeiras memórias. Criado brincando nas ruas de chão batido e às margens do rio São Francisco, o ator teve ali os primeiros contatos com o teatro.
“Naquela época a gente aproveitava muito o rio para brincar. Não tinha celular e a diversão era fazer peças e brincar na rua”, relembrou Joedson Ribeiro, diretor de Esportes e Cultura do município, que foi vizinho e colega de escola do artista.
Foi também em Rodelas que Wagner Moura iniciou sua trajetória artística. Em 1987, ainda adolescente, ele participou de uma peça do grupo teatral amador Guterchaplin, dirigida por Rangel Amaral. A apresentação, realizada nas ruas da cidade, encenava um auto de Natal chamado “A Profecia”.
“Convidei o Wagner porque percebi que ele era um garoto diferente. Sempre teve algo especial”, contou o diretor teatral.
A história de Rodelas, no entanto, também é marcada por um episódio que transformou profundamente a vida da população: a construção da Barragem de Itaparica, hoje conhecida como Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. Iniciada em 1988, a obra provocou a inundação de sete cidades da região.
A antiga Rodelas ficou submersa, e uma nova cidade precisou ser construída em uma área mais alta. Até hoje, parte da antiga estrutura, como a caixa d’água que abastecia os moradores, ainda pode ser vista acima das águas do rio São Francisco.
A família de Wagner Moura permaneceu na nova Rodelas até 1990, quando se mudou para Salvador. Antes de partir, o jovem ator ainda participou de outra peça teatral na cidade, intitulada “A Estrela”.
Mesmo após alcançar reconhecimento nacional e internacional, o vínculo com a cidade continua sendo motivo de orgulho para os moradores. Entre os pouco mais de 10 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE, a expectativa é grande para a cerimônia do Academy Awards, marcada para o próximo domingo (15).
Para muitos rodelenses, ver Wagner Moura entre os destaques da premiação representa mais do que uma conquista pessoal: é também a valorização da história e da cultura de uma pequena cidade do sertão baiano que ajudou a moldar um dos maiores atores do país.
ASSISTA REPORTAGEM AQUI





