13 de março de 2026

Gecildo Queiroz: Hoje é o dia da infância. Abramos os nossos olhos.

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Para quem não sabe, hoje, 24/08/2009, é o dia da infância. Saber da existência deste dia não vai fazer significativa diferença, já que a INFÂNCIA, para A MAIORIA dos adultos, há muito não tem a importância que deveria ter. Poderia escrever várias páginas destacando o que há de mais violento, indiferente e inaceitável nas relações com crianças. Teria todas as estatísticas a meu favor para sustentar minha argumentação diante do descaso com este período da vida. Período que, diferente do que se tem visto, deveria exigir de cada um de nós todo respeito e cuidado que se pode ter.


 


Diferente do dia dos namorados, dos pais, das mães, dos avós e assemelhados, o dia da infância não foi explorado pelo comércio, afinal, os outros dias já cumprem seu papel consumista e inconsciente. Contudo, não posso dizer isso, seria irresponsabilidade, como alguns pensam, da minha condição politicamente (ou, se preferirem, fingidamente) correta, que espera o progresso das vendas e da geração de empregos, somente. Sem sequer considerar o progresso da bondade e da solidariedade humana.


 


Mas, afinal, do que estou falando? Parece que não, mas é óbvio: para alguns, é apenas um detalhe que quase ninguém leva em conta. Não me reporto a falta de condições financeiras para manter a infância com o mínimo possível; nem a falta de escolas de qualidade. Como todos esperam, também não me baseio nas famílias desumanizadas sob todos os aspectos, sem o mínimo de representação política honesta que as defenda; nem às dificuldades de um conselho tutelar mal aparelhado, precipitadamente condenado e mal entendido por boa parte da sociedade. Meu foco é mais sutil. E atinge quem, em tese, tem todos os recursos para mudar. Não o faz porque não o considera prioridade.


 


O desinteresse ao qual me refiro, é humano. Este que é apoiado no mínimo esforço de percepção e compromisso com o tempo e com a vida melhorada. Mais precisamente, o futuro. O que me assusta, neste momento, não são aquelas famílias que não tem meios de manter sequer a subsistência dos seus. O que me provoca indignação são os pais e mães que tem à mão as melhores formas de crescer como gente e ser melhores exemplos da a família e para a sociedade. Estes que, sem nenhuma justificativa, vivem demonstrando, para quem quer ver, seu total abandono moral e intelectual em relação às crianças. O que me causa repugnância é a postura irresponsável e sem nenhuma consciência critica e prática, dos homens e mulheres aparentemente instruídos, que tem filhos e filhas e não os ensina noções básicas de convivência amistosa, consciência social e respeito aos outros e a si mesmos.


 


O que me tira a esperança, às vezes, é a posição firme e fingida de alguns ditos pais que proclamam aos ouvidos de todos que a educação é fundamental para formação do caráter de qualquer pessoa e na sua vida, entretanto, demonstram exatamente o contrário. Alguns nem sabem o que quer dizer bom caráter. Lamento que tantas pessoas ditas formadas, pessoas de bem, bons profissionais, figuras popularmente simpáticas e solícitas, não lembrem de o serem também em seus lares. Sinto, com muita tristeza, que nossa infância careça, mais do que tudo, de modelos éticos e afetivos para seguir.


 


Talvez, ao ler isto, muitos estejam se apoiando nas suas desculpas corriqueiras: “Não tenho tempo, não tenho paciência, não tenho jeito com crianças, sou assim mesmo, a vida está difícil, é obrigação da escola”. Enquanto isso, seus filhos percebem que muitos dos seus pais têm tempo para beber, têm paciência com mentiras e hipocrisia, novelas e futebol; têm jeito com os amigos mas não com a família, são simpáticos e amistosos com quem lhes convém e só enxergam a obrigação social e educativa da escola.


 


Tristemente, meus caros, sem referências íntegras, o futuro da nossa infância será, obviamente, o que terá recebido, ou seja, pura indiferença. Como disse o jornalista Humberto de Campos: “Na infância, o que se ouve ou o que se vê não sobe para o cérebro. Desce para o coração e aí fica escondido.” Olhemos de forma honesta e comprometida para infância, porque cedo ou tarde, o que fica escondido, se revela. E, para os que acreditam, se continuar como está, só Deus poderá nos socorrer.


 


Gecildo Queiroz, cidadão e educador.


 

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