“O INEXORAVEL DESPRAZER DE NÃO SER POBRE, MISERÁVEL OU DESEMPREGADO EM PAULO AFONSO”
Por: Cecílio Almeida Matos
Li…li mesmo a matéria sobre o morador de rua que para defender um amigo, acabou assassinado na feira.
Me dei conta que a informação grafava que ele e a família toda eram moradores de rua!
Perguntei-me, o que uma família inteira esta fazendo abandonada, vendo seus filhos rumarem pelo mundo das drogas e da bandidagem? E conclui, muito perfunctoriamente (acho essa palavra chique!) que o que leva um família toda, de miseráveis, desempregados ao desprazer de morarem todos na rua é a falta de assistência social, a falta de políticas públicas para construção de pequenas casas, em bairros simples que possam abrigar essas famílias, é a falta de empregos (empregos simples, sem muita exigência intelectiva, é obvio).
Qual a política publica que existe na cidade para conter ou mitigar o sofrimento dessa gente? Alguém sabe? Á noite nas ruas, percebo o cotidiano de mendigos, crianças e velhos pedindo esmolas; loucos então nem se fala, vira e mexe e me deparo com duas senhoras doidas pedindo e ameaçando, tem sempre uma que se aproxima de você com uma caixa de remédio tarja preta nas mãos e se tremendo toda, boa parte é fingimento é claro.Mas quem gosta de passar fome? Quem gosta da miséria? Quem? Quem com tanto amor ao próximo deixa o seu cantinho, a sua comodidade para auxiliar essa legião de miseráveis?
Lembro-me que a cerca de 20 anos atrás, um governador canalha, em Sergipe, com quem briguei e acabei na cadeia por quase dois anos, por ter pedido a intervenção federal naquele estado, via Procuradoria Geral da República, socava todos os mendigos e miseráveis em ônibus e largava-os á fórceps na linha verde; a denuncia foi publicada no CINFORM da época.
Paulo Afonso descobriu uma forma mais digna de se livrar dos seus mendigos, desempregados e miseráveis, permite-se-lhes que briguem entre si até a morte e assim, de grão em grão (digo: de mendigo em mendigo) esses coitados vão se acabando. Quando nada acabam-se bêbados largados no Nair Alves de Souza, como o pobre coitado lavador de carros na Getulio Vargas que morreu a mingua no dito hospital.
Todos sabem que sou judeu, neto de judia e mãe judia (não praticante), mas vendo esse cenário todo, onde a todo instante falsos messias se levantam em promessas sórdidas e fantasiosas fico a me perguntar porque, porque realmente uma cidade com 08 milhões de reais, dados de mãos beijadas pela CHESF não aplica melhor toda essa importância.
As noticias são sempre sorumbáticas do tipo o gestor tal saiu com uma ilha de 700 milhões de reais, o gestor fulano comprou uma rede de farmácias, o gestor beltrano deixou cicrano 10 vezes mais rico. Além de ter ouvido a famigerada estória de um político que houvera dito que a ” política é que tem que me dar e não eu que tenho que gastar com a política”. Esta célebre frase, que não sei de quem é, mas presumo seja de algum candidato derrotado, que perdeu a “boquinha” a “tetinha” e magoado saiu com essa peróla.
Então porque será que é um desprazer não ser pobre em Paulo Afonso? Simples, porque sabendo que a urbe tem tanto dinheiro, você e sua família empregados e dormindo em berço esplendido não conseguem ter uma boa noite de sono ou ficarem em paz, sem que algum mendigo, ou louco ou desempregado não passe por ti a pedir-lhe alguma coisa.
Caetano Veloso, diz categoricamente: “…gente nasceu pra brilhar e não pra morrer de fome!”
Em Paulo Afonso quem brilha são os holofotes dos cofres sangrados em trocas de cargos comissionados e que faz crescer dia a dia uma legião de desgraçados.
AGORA DIGA QUE EU ESTOU MENTINDO!
*Cecilio Almeida Matos – É ex presidiário, único técnico judiciário concursado do Brasil, ex presidiário.





