William e Kate se casaram. A Casa Real Britânica assegura, assim, a linha de sucessão à Rainha Elizabeth II.
Curioso, e mesmo confortante, ver que a tradição funciona na Inglaterra. O povo gosta e é feliz como eles são: conservadores e reservados. Mantêm a tradição. O filho do Príncipe Charles e a plebeia se casaram em uma igreja que esbanja tradição. Lá, a História está presente até mesmo nos ossos de figuras importantes sepultados abaixo dos pés dos que ainda vivem. Carece preservar. A realidade é de certa forma feita por nós. Está nas nossas cabeças. Fora dela, apenas a mutação constante de um mundo em movimento onde tudo é energia.
A agora princesa sabe que é preciso preservar. Decididamente não estamos aqui para esboroar o mundo. Pois não é que ela mandou colocar, como alamedas vivas de preservação, árvores de porte ao longo da abadia em que acaba de se casar! As árvores estavam, com toda a pompa de quem se sabe essencial, dentro, na nave principal da abadia. Longe de Londres, as ruas e as praças de Paulo Afonso – da mesma forma que as margens do Rio São Francisco – clamam por mais árvores sabendo que delas depende a nossa sobrevivência.
A monarquia floresce no Reino Unido. Presta um grande serviço como referência e ponto de união. Favorece a estabilidade política do país. Sua influência chega ao Canadá e à Austrália através da Comunidade das Nações. Se a Grã-Bretanha, o Canadá e a Austrália – para não citarmos outras monarquias europeias e o Japão – mantêm essa instituição, por que, ousaríamos perguntar, não resgatarmos a monarquia no Brasil? Já somos quase a quinta economia do mundo e precisamos de estabilidade. O monarca constitucional é polo de aglutinação e referência. O país tem a quem recorrer em épocas de crise sem necessidade de intervenção dos militares da mesma forma que recorre aos presidentes nos regimes parlamentaristas. No plebiscito passado, votei pela restauração da monarquia. O Brasil atravessou o Império com estabilidade relativa e crescimento moderado governado por gabinetes parlamentares. O imperador exercia a Poder Moderador.
Poderíamos ter a oportunidade de resgatar a Casa dos Bragança no Brasil. Qual o mal em imitar Inglaterra, Espanha, Japão e todos os países europeus que têm um rei? Uma casa real nos traria mais bem do que mal em termos de estabilidade, contatos, influência, tradição e turismo. Gasta-se tanto com a burocracia oficial. A manutenção de uma realeza certamente não nos arruinaria. Poderíamos mesmo estar pedindo desculpas pela maneira com que banimos a família imperial sem dó nem piedade em 1889. Dom Pedro II teve que viver de doações de parentes no exílio forçado.
Vivemos, hoje, um conto de fadas. O povo inglês, sisudo como sempre, estava feliz. Já tem uma nova rainha na espera. Foi em massa para a rua e se divertiu em festas sem fim. Os súditos se esqueceram dos problemas por um pouco e voltaram à Idade Média em carruagens, pajem, e tradições. Poderíamos ter o mesmo no Brasil. Se não com a Casa dos Bragança, pelo menos com um rei escolhido em plebiscito. Só que, para o bem ou para o mal, um plebiscito realizado agora apontaria Lula, certamente, o novo rei.
Francisco Nery Júnior





